A ameaça à sociedade

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Há uns anos havia um padre (já falecido) de uma freguesia do concelho de Valongo, nos arredores do Porto, que aproveitava as homilias para fazer política. Não a política social comum do dia-a-dia, que todos podem e devem fazer (e ele também fazia), mas sim a política partidária. Da dura e da pura. Não fora da Igreja, como candidato ou eleito de uma força política, mas sim dentro da Igreja e nas homilias.

Com toda a naturalidade e até algum toque poético lembrava aos paroquianos que havia uma estrela a apontar para o céu. Para bom entendedor, estas palavras bastavam.

A mensagem que os bispos portugueses pretenderam fazer passar, com o seu jeitinho especial, é clara: não votem nesses quase excomungados que querem debater o casamento dos homossexuais, esses renegados.

 

Deixe-se o assunto como está, bem arrumadinho no armário. Não vá aparecer por ai alguém a lembrar os pecadilhos de certos padres que, noutros tempos, só noutros tempos, com certeza, tiveram práticas pouco dignas para as batinas que vestem.

“Não é fiável quem se mete numa aventura que vai dividir a sociedade”, disse um porta-voz dos bispos nacionais. Foram palavras dentro do estilo do tal jeitinho especial. O que o porta-voz quis dizer, na realidade, foi: “Não votem no PS senão temos um sarilho por causa dos maricas”. Não foi por pensarem que o PS governa mal, que gere de forma desadequada as finanças públicas, que não consegue resolver os problemas sociais e económicos do país. Não. Foi porque se o PS ganhar as eleições abre o debate sobre os casamentos homossexuais. E isso, a Igreja Católica não aceita. Sobretudo não quer que se debata a questão da homossexualidade. Melhor, que nem se debata a ‘questão’ do sexo.

Deixe-se o assunto como está, bem arrumadinho no armário. Não vá aparecer por ai alguém a lembrar os pecadilhos de certos padres que, noutros tempos, só noutros tempos, com certeza, tiveram práticas pouco dignas para as batinas que vestem.

Sim, é melhor deixar o assunto bem guardado no armário e não o deixar sair de lá.

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A ameaça à sociedade