O estranho caso de Benjamin Button: Uma oportunidade aquém do possível

“A tua vida é determinada pelas oportunidades… Mesmo daquelas que perdes”. Já o filme vai bem lançado e Benjamin Button atira-nos esta frase. Pode bem ser um lema desta nova cooperação entre David Fincher e Brad Pitt, depois do extraordinário “Sete pecados mortais” e do excelente “Clube de Combate”.

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Antes de começarem a preconceber ideias, fica a indicação de que gostei de “O estranho caso de Benjamim Button”. Só gostaria de ter gostado mais. Fincher e o argumentista Eric Roth basearam-se livremente num conto curto de F. Scott Fitzgerald sobre uma criança que nasce com o aspecto de um homem de 70 anos e que, depois, vai rejuvenescendo. Esta premissa é a única verdadeira ligação efectiva entre o texto original e a fita que Fincher nos proporciona.

Com um fantástico trabalho de caracterização, uma cenografia e um registo fotográfico impecável, “O estranho caso de Benjamim Button” é um filme tecnicamente inatacável, com muito pouco para se lhe apontar. É, de resto, dos mais belos filmes dos últimos anos do ponto de vista visual. Um regalo para os olhos.

Onde a película falha é no desenvolvimento narrativo. A história surge-nos desequilibrada, com quebras de rimo que prejudicam a narrativa. Bem lançada na primeira hora, perde-se numa boa parte do tempo central, até reentrar nos eixos nos 20 minutos finais. Dá a ideia que Fincher teve muita vontade de encher o filme com situações laterais para não escoar toda a vida de Benjamin num abrir e fechar de olhos. Acabou por fazer cerca de 2h45 minutos de um filme longo, vivendo muito dos aspectos técnicos, onde os actores acabam até por ser perder em interpretações vulgares e sem brilho.

“O estranho caso de Benjamim Button” tem tudo para ser um excelente filme mas fica-se apenas pelo “bom”.

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O estranho caso de Benjamin Button: Uma oportunidade aquém do possível