A relação entre a Google e o chip das matrículas dos automóveis

A Google continua a surpreender. Apesar da crise económica global ter levado a empresa a fazer alguns despedimentos e a encerrar três laboratórios, a gigante da internet não pára.

Em poucos dias lançou a nova versão do Google Earth, com a componente subaquática, e o Google Latitude, uma aplicação para PDAs e telemóveis, que permite uma identificação da localização das pessoas que o têm aplicado.

Bart Simpson Google

É mais uma demonstração da vitalidade de uma empresa que tem pouco mais de dez anos. Uma década que ficou marcada por um algoritmo matemático que dois amigalhaços resolveram utilizar para fazer um motor de busca na Internet. São apenas dez anos, mas como dizia, na canção, Paulo de Carvalho, “dez anos é muito tempo”.

É o tempo suficiente para lançar as bases de uma nova fase de utilização das tecnologias. E criar e desenvolver o mais importante motor de busca de todo o mundo. Um instrumento necessário e poderoso que pode ser manipulado, enganador e ajudar a empresa que o detém a orientar de forma simples os seus negócios. Alguém tem hoje dúvidas de como surgiram a maioria dos serviços lançados pela Google? Eu dou uma ajuda: em grande medida pelo conhecimento dos resultados das buscas dos utilizadores. Isto é, todos nós ajudamos a Google a enriquecer. E fizemo-lo sem problemas e até agradecidos. É justo. Foi uma troca de conhecimentos.

O lançamento do Google Latitude despertou os habituais profetas da desgraça da defesa da privacidade. Ao que tudo indica, desconhecem que essa coisa da privacidade já foi chão que deu uvas.

Há quem diga que o ‘Latitude’ é um “big brother”, uma forma de sermos controlados por outras pessoas mas a empresa já veio lembrar o óbvio: só instala a aplicação quem quiser e só quem quiser a activa. Como na maior parte das coisas ninguém é obrigado a fazer uso deste instrumento, que não é mais que uma extensão das redes sociais aos telefones móveis.

Diferente é outro “big brother” acabadinho de sair do forno dos legisladores. E este é obrigatório. Todos os proprietários de automóveis e motos têm de instalar um dispositivo electrónico na matrícula.

A medida, aprovada em Conselho de Ministros, vai permitir identificar as viaturas para efeitos de cobrança electrónica de portagens em conformidade com o Serviço Electrónico Europeu de Portagem.

O dispositivo electrónico na matrícula passa a ser obrigatório também para reboques, motociclos, e triciclos autorizados a circular em auto-estradas e vias equiparadas.

Isto sim, é um “big brother”. O chip é obrigatório. Queira ou não o seu legítimo proprietário fazer uso das auto-estradas nacionais ou da Europa.

Por mim, já decidi: entre o Estado e a Google, prefiro a Google, que sempre permite buscas divertidas. E o Estado é muito sisudo.

Ligação extra: Os dez anos da Google, vistos pela Google (Reino Unido)

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A relação entre a Google e o chip das matrículas dos automóveis