Os outros

É um interessante e velho fenómeno nacional. Estou convencido que a culpa não é nossa. Deve ser dos outros. Considerando que, para este efeito, os ‘outros’ são os nossos antepassados, esses que nos deram o fado lusitano e nos entregaram o país tal como ele é hoje.

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“Com uma imensa dificuldade em olhar para o umbigo, a nossa tendência natural é apontar o dedo para ‘os outros’, essa entidade abstracta que serve de bode expiatório para todos os males.”

Com uma imensa dificuldade em olhar para o umbigo, a nossa tendência natural é apontar o dedo para ‘os outros’, essa entidade abstracta que serve de bode expiatório para todos os males. Quando chega a altura de colocar nomes nos ‘outros’ o caso muda de figura. Por vezes, lá os dizemos, indicando fulano e beltrano. Mas o vulgar é deixar tudo no ar, à espera de quem nos dá trela chegue à conclusão lógica, pensamos nós, de quem são os ‘outros’.

É o espírito português. Ponto. Torna tudo mais fácil e evita a obrigação de nos questionarmos e questionar quem está mais próximo.

Não espanta, por isso, os resultados do estudo de uma seguradora, o "AXA Barómetro de prevenção rodoviária 2009", realizado em vários países. No que diz respeito a Portugal, onde foram feitas 800 entrevistas, o documento assinala que seis em cada dez condutores portugueses sentem-se seguros nas estradas nacionais, mas mais de metade acha que os ‘outros’ são maus condutores. Quatro em cada dez condutores (40 por cento) continuam a sentir-se inseguros nas estradas portuguesas. Há dois anos, o sentimento de insegurança era de 60 por cento.

No global, os portugueses reconhecem que conhecem bem as regras de condução, mas nem sempre as cumprem. Exemplo: 18 por cento dos portugueses considera perigoso passar um sinal amarelo, mas 85 por cento admite que o faz.

Para reduzir a sinistralidade, metade dos portugueses entendem que uma punição mais severa pode ajudar neste processo. Ou seja, isto não vai lá só com sensibilização.

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