Piscas, uma questão de privacidade

Em Portugal, é sabido, somos uns aselhas a conduzir. Parece que temos orgulho nisso. Quando o assunto vem à baila, em conversas mais ou menos sérias, o tema é enquadrado por alguns sorrisos. Não são gargalhadas mas a coisa não é motivo de ligeireza suficiente para nos permitirmos desenhar algum coisa com os lábios que não seja um esgar de lamentação.

piscas

Bom, para sermos honestos, há ainda pior. Em Itália, em concreto em Roma, conduzem de forma pavorosa e perigosa. Dizem-me que no Cairo e em Atenas é assim tão mau ou ainda pior. Valha-nos isso. Somos maus mas não somos os piores. E isto pode ser uma lição para os estafermos que passam a vida a dizer que nem deveríamos ser autorizados a conduzir.

Ora, acontece que as escolas de condução estão a pensar em fazer descontos para os candidatos a potenciais homicidas nas estradas. O negócio corre mal e a culpa não é só da crise. Nos últimos anos, dizem, tem havido menos alunos.

Mas vamos ao que me leva a falar deste assunto. Os portugueses não sabem utilizar os piscas. Não sabem! É a única explicação que encontro para um número gigante de automóveis não dar sinais (por indicação dos condutores) do seu destino. Sem querer exagerar, parece-me até que metade daqueles que têm a ‘regueifa’ na mão não se prestam ao favor de informar os parceiros de estrada das suas intenções.

Piscas, é para o tecto. Desconfio que é porque não sabem como se faz. Ou, então, não sabem que aquela alavanca ao lado do volante tem, de facto, uma função. Eventualmente pensam que é decoração. Há ainda outras possibilidades.

  1. Sabem da coisa e para que serve mas as luzes estão todas avariadas;

  2. Têm problemas nos ossos dos dedos e se accionarem a tal alavanca, doe-lhes;

  3. Não gostam do Natal e não querem ser chamados de árvore;

  4. O tic-tic sonoro irrita e perturba a audição do CD pirata que está a tocar;

  5. São tão discretos e defensores da sua privacidade que não querem que ninguém saiba para onde vão.

É capaz de ser por esta última. Se calhar não está mal visto, não…

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Piscas, uma questão de privacidade