Barack Obama: Um ícone na Casa Branca

Barack Obama tomou ontem, 20 de Janeiro, posse como presidente dos EUA. O cargo político mais importante do mundo. Assume a liderança de um país em crise. Financeira e de valores. Com um sistema económico em clara derrapagem, com finanças em estado de sítio e fraca margem de progressão no curto prazo, uma nação descrente num sistema educativo que está em declínio há muitos anos e poucos parecem dar por isso.

Imagem do Boston Globe
Imagem do Boston Globe

Obama tem pela frente uma tarefa hercúlea. Arranca para um mandato debaixo de enormes expectativas, dos norte-americanos e de todo o mundo. A sua eleição para a presidência foi festejada um pouco por todo o lado.

Obama é o novo Messias, a estrela em ascensão

Naquele 4 de Novembro de 2008 Obama não foi apenas eleito o presidente dos EUA, tornou-se o presidente de uma parte significativa do mundo. O homem que vai mudar “isto”, sendo o “isto” um mundo que parece ter perdido o norte. Num planeta à míngua de referências, Obama tornou-se a esperança. De um mundo melhor, de um planeta mais saudável, do fim dos conflitos, do ponto final no aquecimento global, do início do fim da crise económica. Obama é o novo Messias, a estrela em ascensão.

O novo presidente americano sabe disso. Sabe que as expectativas são gigantes. É o preço a pagar por ser o sucessor de uma das piores duplas liderantes dos EUA de todos os tempos.

Por saber que esperam muito dele, o novo presidente já tratou de avisar que o caminho não será fácil, que os tempos que se aproximam prometem dificuldades, que haverá muitos obstáculos e problemas para resolver, que vai cometer erros, sim, porque até Obama comete erros.

O homem que hoje se senta à secretária da Sala Oval da Casa Branca tornou-se, em cerca de dois anos, uma estrela. No revista “Pública”, lia-se há dias que quase todas as edições da revista “Rolling Stone” de 2008 estão ainda disponíveis para encomenda no site da publicação. Quase todas. Já não é possível pedir alguns – poucos – números. Como aquele que trouxe na capa os ídolos juvenis da Disney, os Jonas Brothers, a capa com Elvis Presley e os exemplares que trazem Obama como tema central. E estamos a falar de uma revista dedicada, sobretudo, à música.

O homem ainda agora chegou ao verdadeiro poder mas é já um ícone. Todas as grandes publicações do mundo usam e abusam de Obama. Os responsáveis gráficos e os directores desses órgãos nem precisam de puxar muito pela cabeça para fazer a primeira página quando o assunto é Barack Hussei Obama. Basta uma fotografia do homem, enquadrada pelo título da publicação. Chega.

Chega para a Time, para a Newsweek, para a Rolling Stone, para a New Yorker, enfim, para muitos revistas e jornais. Obama é Obama, não precisa de palavras, nem de legenda. O homem tornou-se um fenómeno. É uma estrela, comparável aos grandes nomes do cinema e da música. E não precisou de tanto tempo para se afirmar no universo pop. Os pins, crachás e t-shirts com Obama esgotam. Há quem se passei pelas ruas com a sua efigie estampada na camisola, os seus livros ou os livros sobre ele são comprados e devorados. Há uma obamania geral. Vendem-se sabonetes, garrafas de água, calendários, posters, enfim, de tudo. No Japão já foram vendidas mais de duas mil máscaras do homem.

Veja-se o trabalho artístico de Shepard Fairey, que acabou por se tornar um símbolo da campanha eleitoral e vendeu mais de 300 mil posters.

É também o primeiro presidente dos EUA da web2.0. E como ele e a sua equipa souberam aproveitar as potencialidades da tecnologia, da internet  global e das redes sociais…

Ao aproximar do “inauguration day” a popularidade foi crescendo. Oitenta e quatro por centos dos americanos aprovaram a forma como geriu o período de transição.

P.S. Quanto a Bush, que vá pela sombrinha.

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