Um novo início

No início deste mês um dos mais reputados fotógrafos presentes no Instagram, Richard Koci Hernandez, anunciou que ia eliminar todas as suas imagens deste sistema de partilha social. Assim fez.

“Out with the old; in with the new”. Foi esta a forma que optou para contextualizar a decisão, que, disse, estava a ser maturada há algum tempo. Foi a vontade de começar de novo que o moveu.

Não foi a opção de Koci que me motivou mas ajudou a tornar definitivo algo que já andava a pensar há uns tempos. Aliás, há demasiado tempo.

Este estabelecimento vai fechar. Não para obras, não para inventário, mas para sempre. O bloco de notas fecha aqui um ciclo. Não voltará a ser actualizado.

Pelo menos para já, não sigo por inteiro o caminho de Koci. Não irei eliminar, de imediato, todo o seu conteúdo. Estará aqui disponível até que um dia… pufff.

Se me quiserem encontrar, em breve estarei num novo espaço.

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Um novo início

Assobiar não é para todos

You know you don’t have to act with me, Steve. You don’t have to say anything, and you don’t have to do anything. Not a thing. Oh, maybe just whistle. You know how to whistle, don’t you, Steve? You just put your lips together and… blow.

Será injusto, para não dizer ridículo, reduzir a carreira de Lauren Bacall a algumas linhas num argumento, um filme ou um período, aquele que partilhou com Bogart. Foi muito mais que isso.

A verdade, no entanto, é que ao saber da sua morte foi a célebre frase de “Ter ou não ter” que me veio à memória.

Não é uma frase para qualquer uma. É preciso uma certa dose de ironia, de desplante, de “frankly my dear, i don’t give a damn”, ao mesmo tempo que, de facto, se “give a damn”, de querer parecendo que não se quer.

Steve (Bogart) juntou os lábios e soprou.

Assobiar não é para todos

Ontem, Robin Williams deixou de rir

Recordo o professor inspirador de adolescentes de O Clube dos Poetas Mortos ou o psicólogo de O Bom Rebelde. Aquele que ajuda Will Hunting a encontrar o seu caminho, enquanto ele próprio enfrenta os seus medos. Recordo-os muito mais que o radialista Adrian Cronauer de Bom Dia Vietnam, embora este (e o seu famosos grito matinal) também sejam inesquecíveis.

Na realidade não há muitas personagens de Robin Williams de que me esqueça. Não era actor de passar despercebido. Faz parte da galeria dos ‘bigger than life’. Daqueles cuja presença num filme nos fazia sentir confortáveis, que reconhecíamos como um de nós, alguém de confiança. Um amigo nosso.
Robin Williams era, sim, um dos melhores amigos de Christopher Reeve. Desde os tempos da escola Julliard, que ambos frequentaram.

Em 1995, após a queda que o paralisou, o actor de Super Homem contou à jornalista Barbara Walters uma história de quando “queria morrer”.

Estava no hospital a aguardar uma operação que podia ser fatal. Envolvido nos seus “pensamentos negros”, como disse na sua autobiografia.

De repente entra no quarto um médico agitado. “Vire-se!”. Surpreendido, Reeve perguntou “O que?”. O médico respondeu “Vire-se”, preparando-se para fazer um exame rectal.

Quase a chamar a enfermeira, Reeve percebeu que, afinal, quem ali estava não era um médico mas sim Williams. Acabado de interpretar o Dr. Kosevich, em Nove Meses, o actor resolveu animar o seu velho amigo, afastando as nuvens negras com a sua presença num simples momento de surrealismo. Com sucesso. Reeve soltou uma gargalha e, como contou a Walters, percebeu que se podia rir, podia viver.

Ontem, Robin Williams deixou de rir.

Ontem, Robin Williams deixou de rir