Os ‘coitadinhos’ dos ‘revoltados’ são umas bestas

Dizem que tudo começou porque uns malvados de uns polícias mataram um cidadão. Depois uns jovens revoltados contra o tal assassinato e, por certo, incomodados com o rumo que a sociedade leva vieram para a rua numa “manifestação pacífica”. Mas os polícias maus também foram a esse protesto civilizado e houve confrontos.

Os tais jovens, uns idealistas, pacifistas, mas revoltados por uma sociedade opressora desataram a arremessar pedras e explosivos contra os maus, queimaram estabelecimentos comerciais e casas onde moram pessoas, por certo agentes infiltrados de um qualquer poder instalado, apenas para se aquecerem, que as noites de Londres andam frias, e roubaram tudo o que puderem. Aliás, não roubaram, retiraram aquilo que legitimamente lhes pertence e lhes tinha sido retirado por outros elementos de uma ditadura espartana.

Dan Istitene/Getty Images

Depois há outras pessoas com interrogações. Será que esta alienação da juventude, pela sociedade em que vivemos e tal coisa, não poderia manifestar-se de forma mais, sei lá, civilizada? Os coitados dos deserdados, vítimas de uma política de direita sem preocupações sociais não poderão protestar sem destruir e roubar o que é dos outros?

Um polícia, mau, já se sabe, “assassinou” um cidadão e a resposta é incendiar, destruir, pilhar, roubar? É uma reacção às desigualdades, às injustiças? Digam isso a quem viu as casas e negócios queimados e a quem pode ter perdido o emprego graças à ‘revolta’ dos ‘desgraçados’.

Será que todas as loucuras que se cometem em nome de um combate às injustiças sociais têm desculpa? Ou será tudo isto ganha relevância num par de calças?

Peter Macdiarmid / Getty Images

Poderia ter sido um protesto mas num instante passou a vandalismo. E o vandalismo não tem ideologia.

(Mais imagens em In Focus)

Havemos de cá voltar e isto não sai daqui para lado nenhum

“Havemos de cá voltar e isto não sai daqui para lado nenhum”. Era o último dia completo de viagem, a tarde estava já no fim, havia algum frio e eram 13 dólares. Apenas 13 dólares.

Este ‘apenas’ tem de ser enquadrado. Eram outros tempos, o escudo era a moeda deste nosso canto, o euro só seria uma realidade dali a quase um ano, e estava longe de impressionar as notas verdes. Além disso, as férias estavam quase no fim e o dinheiro, como ainda hoje, não abundava. Por isso, os ‘apenas’ 13 euros eram mais um choroso ‘ainda por cima são 13 euros’.

Depois da hesitação, a decisão. Não subimos. Ficamos pelo imponente hall de entrada, vimos os elevadores abrir e fechar com muita frequência, gente a chegar e a partir. Foi isto durante uns minutos. Não fomos até ao topo, não vimos o que de lá se via. Deixamos para mais tarde. Para quando lá voltássemos. Por certo, aquilo estaria ali. Não ia para lado nenhum.

Já lá vão mais de 10 anos. Não voltei a Nova Iorque. E aquilo já lá não está. As Torres Gémeas, o World Trade Center, foi derrubado num imponente KO uns nove meses depois de me ter acolhido.

O melhor é não termos nunca certezas absolutas.

Super 8: o regresso à magia

Apesar de um pouco desequilibrado, com uma primeira parte melhor que a segunda, “Super 8″, de J.J. Abrams, é um refrescante regresso a uma certa magia do cinema. Só por isso, e não é, já valeria a pena ver o filme.

Mas tem mais coisas. Um elenco jovem extraordinário, uma excelente direcção e cenas de acção bem construídas. Tudo isto bate uns pequenos defeitos na recta final da fita, que, embora se percebendo num contexto de homenagem ao produtor Steven Spielberg, acabam por retirar força ao filme.

Uma pequena história de amor

São três minutos extraordinários. Graças à arte do espanhol Carlos Lascano, um ilustrador, animador e realizador, entre outras coisas. É um filme em animação stop-motion que conta uma pequena história de amor.

Não há diálogo. Todo o ‘texto’ está nas imagens. E na música, numa escolha notável dos excelentes Sigur Rós.

A SHORT LOVE STORY IN STOP MOTION from Carlos Lascano on Vimeo.

Cheguei aqui graças a Webmania.

“A fotografia é uma arte elegíaca”

“A fotografia é uma arte elegíaca, uma arte crepuscular. A maioria dos sujeitos fotografados são, apenas pela virtude de ser fotografados, tocados pelo pathos*

Susan Sontag, “On Photography, 1977

De Sudão do Sul, a mais nova nação africana

Reuters/Goran Tomasevic

*Pathos é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, tragédia, passagem, passividade, sofrimento e submissão. Neste caso, a interpretação da frase de Sontag fica para cada um.

Foto retirada de Infocus, a mais nova nação do mundo

Carros 2, 3D, o marmanjo e o miúdo

Os senhores que mandam na distribuição de cinema em Portugal continuam convencidos de que apenas a miudagem gosta de ver filmes de animação. Os adultos não. Quando vão ao cinema ver um filme do género fazem-no porque vão acompanhar os petizes e nada mais. Talvez tenham razão. Os adultos devem limitar as suas opções cinéfilas a outras obras de grande profundidade intelectual, tipo Transformers.

Veja-se o caso de Carros 2. Dizem que é o pior filme da Pixar e talvez seja. Mas apetecia-me ir ver.

O miúdo que há em mim disse ao marmanjo que me domina na maior parte das vezes que é melhor ver para crer. Este é o pior filme da Pixar? Vamos lá ver se é mesmo assim.

Pois que o marmanjo (eu) impôs uma condição ao miúdo (eu): apenas na versão original. Não é que as dobragens não sejam bem feitas e tal, mas o marmanjo tem a mania dos purismos. O miúdo aceitou. Seja.

Vão o marmanjo e o miúdo à procura das sessões e descobrem que a versão original está em exibição em duas salas do Grande Porto. O problema é que ambas apenas mostram a versão em 3D. Como? Só em 3D? WTF? (what the fuck – tradução censurada). Mas eu (marmanjo e miúdo em simultâneo) não gosto de filmes em 3D. Então não há nada para ninguém.

Em desespero ainda pergunto à internet se não há por ai um sítio com o Carros 2 em versão original e em digital, sem 3D. Claro que há, no Algarve. Os senhores que mandam no cinema em Portugal lá iam desperdiçar a oportunidade de ganhar umas massas com os turistas do reino de sua majestade.

Foi mais uma lição de vida: se os senhores do cinema não tem querem no cinema não vás. E assim não vou. Hei-de encontrar-me com o Lightning McQueen noutro lado qualquer.