A vida que enfiamos numa mochila?
“Quanto pesa a vossa vida? Imaginem, por um segundo, que carregam uma mochila. Quero que a encham com todas as coisas que têm na vossa vida…”
Ryan Bingham, Up in the air
Podia ser o lema de Nas Nuvens (Up in the air): quanta vida cabe numa mochila? As coisas e as pessoas de que e de quem gostamos ocupam que espaço? O quê ou quem deixaríamos pelo caminho se não conseguíssemos transportar tudo e todos aqueles que consideramos importantes?
Esta é uma das perguntas que nos ocorrem quando a personagem de Ryan Bingham realiza palestras sobre motivação profissional. E sobre o que nos cabe na mochila. O homem interpretado por George Clooney vive a fazer ligações aéreas. É nessas que ele é bom, é nessas que tem objectivos estabelecidos. As ligações pessoais não constam do seu cardápio. São passageiras, quase irrelevantes.
Ryan ganha a vida a despedir funcionários de outras empresas. Viaja pelo país nessa tarefa. Passa menos de 50 dias em casa ao longo de um ano e são, para ele, os piores dias do ano. No regresso ao apartamento percebemos porquê. É uma casa a quem alguém terá dificuldade em chamar de lar. Mas isso não interessa a Ryan. Na sua mochila não cabem muitas pessoas e muitas coisas. Há sempre um espaço para os muitos cartões que utiliza. E é graças a eles que conhece Alex Goran. Ryan e Alex trocam cartões de todas as espécies como quem troca fotografias dos petizes que deixaram em casa e de quem têm saudades. A certo ponto Alex diz a Ryan que ela é como ele, só que com vagina.





