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Arquivo da Categoria ‘Jornalismo’

Um grito que não consigo escutar

13, Fevereiro, 2010 José Freitas Nenhum comentário

Mais uma vez não consigo entender a imagem escolhida como vencedora do World Press Photo, o mais importante prémio mundial de fotojornalismo Este é o terceiro ano consecutivo que tal acontece. Começo a desconfiar que o meu gosto deve ser estranho.

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A vitória deste ano foi entregue ao fotógrafo italiano freelancer, Pietro Masturzo. O autor apresentou a concurso uma série de fotos efectuadas no Irão, quando dos protestos originados pela reeleição do presidente iraniano. A imagem mostra uma mulher a gritar do alto de uma casa, ao lusco-fusco. Vemos mais alguém no telhado mas não vemos para onde ou para quem se dirige o grito.

O júri diz que "além de ser bela, capta a tensão e a emoção do momento em que os protestos começaram a intensificar-se. A imagem mostra o começo de algo, o começo de uma grande história. Isso passa uma perspetiva e informações importantes, tanto visual como emocionalmente". O presidente do júri, Ayperi Karabuda Eser, explica, assim, a opção, no comunicado divulgado.

Pode ser mas não me convence. Se a ideia era distinguir algo relacionado com o Irão, havia outras opções. Muitas outras, se calhar do mesmo autor. Entre as mais de 100 mil imagens colocadas a concurso garanto que havia fotos mais relevantes do ponto de vista informativo e perante as quais seria possível apresentar a mesma justificação. Basta ver outras imagens premiadas e será possível encontrar melhores imagens. Mais informativas, mais jornalísticas. Sim, sei que estas escolhas são subjectivas, que avaliar fotografias jornalísticas não é um concurso de beleza e de estética, que a vencedora até é uma boa imagem. Sei tudo isso, mas esta não é, para mim, a melhor fotografia jornalística do ano passado. Nem a melhor sobre a questão iraniana.

Fiquei surpreendido. Vale que não fui o único. O fotógrafo italiano ficou espantado: "Nem acredito que venci. Nunca pensei que fosse possível um freelancer ganhar o prémio máximo", disse Pietro Masturzo à Associated Press. Eu também não acredito que esta foto venceu. Também nisso estamos de acordo.

Jel e Falâncio ao lado de Mário Cresto

9, Fevereiro, 2010 José Freitas Nenhum comentário

Depois de o terem apelidado de “reaccionário”, numa boa campanha de promoção da SIC Notícia, os Homens da Luta, Jel e Falâncio, estão ao lado de Mário Crespo contra a censura, naquilo que chanaram de “Pequena, mas sentida, Cantiga de Solidariedade para o Mário Crespo”:

20, Janeiro, 2010 José Freitas Nenhum comentário

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Índia, 20 de Janeiro

Imagem de Rajesh Kumar Singh, AP

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A noite das picaretas falantes

20, Janeiro, 2010 José Freitas Nenhum comentário

(vídeo no final)

Ontem à noite, final da reunião entre o ministro das Finanças e a delegação do CDS-PP para debater o orçamento de Estado.

Como manda o protocolo, os elementos do partido da oposição saem primeiro e falam à comunicação social. Depois é a vez do ministro das Finanças. Teixeira dos Santos é “atacado” por microfones dos jornalistas. Espetados, os receptores de áudio esperam grandes notícias. Neste momento, a alguns elementos da tropa da comunicação social só interessa uma coisa: que haja uma resolução. Querem uma grande notícia à viva força. Sobretudo os das televisões. Querem, querem não, exigem algo de concreto que sirva para alimentar os noticiários e debates dos três canais de notícias.

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Não terá ido O Jogo longe demais?

11, Dezembro, 2009 José Freitas Nenhum comentário

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Time destaca capa de revista desenhada por Jorge Colombo

10, Dezembro, 2009 José Freitas Nenhum comentário

A revista Time elegeu, na sua tradição anual, as dez melhores primeiras páginas de publicações norte-americanas editadas ao longo deste ano. Em primeiro lugar ficou uma capa da revista New York, que apresenta Bernard Madoff como Joker. Em segundo, a capa de 01 de Junho da revista semanal New Yorker criada pelo artista português (mas a residir nos EUA) Jorge Colombo, feito com um telemóvel iPhone.

Colombo fez o desenho utilizando uma aplicação do telemóvel em que o pincel é o dedo do utilizador e a tela o visor do telefone.

O bom da estupidez é que é grátis

27, Novembro, 2009 José Freitas Nenhum comentário

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta”.

Albert Einstein, um dos poucos homens que deveria ter sido autorizado a flutuar acima de todos os outros, deverá ter morrido sem esta certeza. Para aqueles mais dados às prosaicas parvoíces do dia a dia, resta-nos o lamento, o desabafo livre e uma certa dose de indignação.

Algumas pessoas não devem mesmo saber onde têm a cabeça. Duvidam? Vejam então a notícia do ionline, segundo a qual “durante 13 minutos, as conversas dos jornalistas estiveram a ser gravadas por um funcionário do Ministério da Educação”. “Enquanto os jornalistas esperavam por uma declaração do secretário de Estado-adjunto da Educação (…) o funcionário entrou na sala de imprensa e pôs um gravador junto dos microfones e dos tripés que estavam em cima da mesa. Ninguém deu conta de que o aparelho estava a gravar. Durante vários minutos, as conversas dos jornalistas giraram à volta das notícias do dia, nomeadamente sobre o caso Face Oculta. Comentários informais foram trocados entre colegas que não se aperceberam de que estariam a ser escutados”.

Canonize-se, porra!

5, Setembro, 2009 José Freitas Nenhum comentário

Consta que, impressionados com o que se passa em Portugal, os serviços do Vaticano estão a analisar se houve algum milagre no nosso cantinho nos últimos dias. Se houve, será aberto de imediato o processo de canonização de Manuela Moura Guedes. A ter acontecido, o milagre só pode ter tido essa proveniência, uma vez que o país parou para debater este caso.

Consta que há até um DVD secreto, gravado por um dos elementos de uma qualquer reunião, contendo revelações chocantes. O bastonário de uma ordem já terá sido chamado para ser, eventualmente, o advogado do diabo neste potencial processo.

Vasco Pulido Valente não foi chamado para comentar nada mas vai escrever a introdução do processo canónico. Há quem diga que quando a polémica acalmar, acaba a crise, mas não há especialistas suficientes para confirmar isto. Talvez se Marcelo e Vitorino estiverem disponíveis.

Em reacção, alguém da TVI, fonte anónima, disse apenas: “Pois…”

O eleitoralismo do Laboratório de Nanotecnologia?

Na inauguração do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia:

Pergunta a jornalista da SIC: “Este agendamento não tem nada a ver com a proximidade das eleições legislativas?”

Reponde o ministro da Ciência, Mariano Gago: “Pelo amor de Deus, isto estava marcado desde 2005”.

Aqui, o que está mal não é a resposta, é a pergunta. Quantos votos é que a jornalista da SIC acha que rende ao Governo a abertura ou apresentação do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia?

Quantas portugueses estarão genuinamente atentos e atribuem importância ao Laboratório Ibérico de Nanotecnologia? Uns mil, dois mil?

Já é tempo de deixarmos de atribuir uma única componente eleitoralista a todo o que se faz a três meses das eleições.

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A internet e Jackson

O processo de informação da morte de Michael Jackson é mais um claro sinal dos novos tempos informativos. Mais uma vez não foi um órgão de informação convencional, uma televisão, um jornal, uma rádio ou uma agência noticiosa, que avançaram a notícia em primeira-mão. Foi um blogue. Em rigor, um blogue sobre celebridades, o TMZ. O curioso é que o blogue dispôs da informação da morte algumas horas antes de a publicar. Mesmo assim, foi o primeiro e manteve-se primeiro durante muito tempo.

Com a circulação da informação por todo o lado, e todos a citarem o TMZ, havia quem duvidasse e preferisse esperar por um ‘grande’ para acreditar. Mas os grandes demoraram demasiado. Tanto que o site da TMZ bloqueou por excesso de visitas. Só muito mais tarde, o Los Angeles Times confirmou a notícia da morte, seguindo-se todos os outros. Este “muito mais tarde” deve ser entendido como significando um período de cerca de duas horas. Noutros tempos não seria significativo mas, em tempos da era da internet, é muito.

Depois do caso do avião que ‘arriou’ no Hudson, em Nova Iorque, com o mundo a saber e a ver através do Twitter, este é mais um sinal dos novos tempos informativos. Mas uma vez, e já não é a primeira nem segunda e não a última, os meios tradicionais de comunicação social foram ultrapassados por um dos novos meios.

Foi ainda na internet que a informação foi consumida, assimilada e debatida, levando a um aumento significativo do tráfego.

Vamos ter de nos habituar a esta realidade.

A informação na era dos tablóides

Aconteceu tudo na quarta-feira. Poderia ter sido um dia ou dois mais cedo ou mais tarde. Poderia ter sido na semana passado ou apenas ocorrer na próxima. Em rigor, a questão temporal é aqui pouco relevante. O essencial nesta matéria é apenas a tendência crescente na comunicação social, mesmo na dita de referência ou “séria”, como se todos os meios de comunicação não tivessem de ser sérios.

A verdade é que a tabloidização, se me permitem esta palavra, não é nova. É algo que nem sequer é recente. Tem décadas. Por isso, a questão deve ser desmistificada.

O problema está mais na circunstâncias do que é notícia de forma mínima. Os exemplos de quarta-feira servem para ilustrar. São 10h20 e o Diário Digital revela ao mundo, em português, que, em Inglaterra, “um pastor alemão chamado Daz Lightning bateu o recorde do latido mais alto”. Foram 108 decibéis. É bastante, sim. Mas vale a pena contar isto ao mundo? Numa publicação sobre cães e animais domésticos, sim. No Diário Digital, creio que não.

Por esta altura já todo o mundo sabia e tinha lido ou visto Barack Obama a dar cabo de uma mosca numa entrevista televisiva. Em relação a Obama só nos falta mesmo saber a tonalidade dos seus traques. Quase na mesma altura descobria embasbacado que uma jovem de 15 anos ganhou o campeonato nacional de mensagens de telemóvel dos Estados Unidos da América. Ganhou 36 mil euros.

Para trás tinha ficado uma outra informação, mais “séria”. O segundo semestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano foram de subida significativa na procura de informação. Em grande parte devido à crise, houve mais pessoas a procurar e a consumir informação. No entanto, os jornais entraram e permanecem num clima de acentuada crise. Este é um fenómeno que faz pensar.

A crise em desenhos

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A edição onze do PortoCartoon-World Festival abre oficialmente esta sexta-feira (19h00), na Galeria Internacional do Cartoon, do Museu Nacional da Imprensa, no Porto. O tema deste ano é “CRISES”.

A exposição reúne cerca de 400 cartoons vindos de todo o mundo, que estão distribuídos por 800 m2, entre a Galeria Internacional do Cartoon e a Galeria de Exposições Temporárias.

O cartunista romeno Mihai Ignat foi o vencedor do Grande Prémio (imagem). O segundo prémio foi atribuído a Augusto Cid, e o terceiro a Zygmunt Zaradkiewicz, da Polónia.

A qualidade dos trabalhos levou o júri internacional do concurso a atribuir ainda 11 Menções Honrosas a artistas de dez países: Austrália, Bulgária, Coreia do Sul, França, Inglaterra, Itália (2) Irão, Polónia, Rússia, Turquia e Ucrânia. 

Meio milhar de humoristas, de 70 países, enviaram cerca de 2000 desenhos ao XI  PortoCartoon, subordinado ao tema “Crises”.

O XI PortoCartoon tem como mecenas exclusivo a Caixa Geral de Depósitos e pode ser visto até 31 de Dezembro.

Entretanto, a Festa da Caricatura do Museu Nacional da Imprensa volta este ano à Praça da Liberdade, no fim-de-semana de 20 e 21 de Junho, véspera do S. João do Porto, em parceria com a Porto Lazer e a Câmara Municipal do Porto.

O “novo” vs. “velho” jornalismo

É um dos temas de actualidade quase permanente desde há uns dois ou três anos na comunicação social: o conflito ou a compatibilidade do jornalismo de papel e digital. Apesar de todas as opiniões, ideias e possibilidades que se abrem pontualmente, não há ainda uma posição mais ou menos consensual do caminho a seguir.

Não creio que haja tão cedo. Prova disso mesmo é a disparidade de opiniões manifestadas por diversos especialistas de jornalismo, estudiosos da comunicação e, acima de tudo, daqueles que vivem a profissão dia-a-dia, os jornalistas, dos mais experientes aos recém chegados à profissão.

Mark Fiore, cartonista que utiliza a animação nos seus trabalhos, além dos desenhos, criou um “combate” verbal entre o “velho e o novo” jornalismo para mostrar o conflito latente, cujo fim está longe de ser conhecido.

Vídeo:

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A Lente chegou à rede

Fortemente afectado pela crise financeira e económica, um dos mais importantes e influentes jornais de todo o mundo luta pela sobrevivência. Ainda não há muito tempo, alguns especialista norte-americanos em questões relacionadas com a comunicação social, diziam que o New York Times poderia fechar as portas em Maio. Não vai fechar. Mas nunca se saberá se essa profecia não se iria realizar se não tivesse chegado um empréstimo salvador. O milionário mexicano Carlos Slim, já accionista do jornal, injectou 250 milhões de dólares, o dinheiro necessário para manter o grupo em funcionamento.

O New York Times foi uma das primeiras e mais significativas vítimas da nova era informativa. Demorou a reagir, como muitas vezes acontece em estruturas pesadas e tradicionalistas. A “velha e cinzenta senhora” fez jus ao epíteto e tardou em mexer as pernas, os braços e, sobretudo, a cabeça. Se todos os jornais, sobretudo os mais antigos, tiveram dificuldades em perceber que algo estava a mudar, o NYT fez pior. Tentou remar contra a maré, pensando que, com o tempo, tudo voltaria a ser como já foi.

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A ética e a confiança ainda existem nalgumas redacções?

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Para começar, gostava de saber, por exemplo, há quanto tempo a TVI tinha o famoso DVD da conversa de Smith e companhia. Gostava de saber porque é que optaram, primeiro, por passar o som, mas não a imagem, reservando-a para uma fase posterior. Admito que haja uma justificação aceitável mas como não a conheço, suponho que a ideia era prolongar o efeito, manter o caso em fervura lenta mas permanente, com evidentes objectivos de audiência e de afectar politicamente um homem com o qual a dupla José Eduardo Moniz / Manuela Moura Guedes não vai à bola, nem a qualquer outro lado. Confira-se, pois, o tom dos restantes espaços informativos e o de sexta-feira. Há ali diferenças e não estão apenas no estilo dos apresentadores.

Respeito mas não gosto do género de apresentação de Manuela Moura Guedes. Não é por causa de Sócrates, garanto. Já não apreciava antes e continuo a manter a mesma posição. Hoje fiquei a conhecer um novo aspecto. O Expresso enviou para a TVI a capa da edição de hoje, dando conta da entrevista exclusiva com o primo de Sócrates, sobre o caso Freeport. A capa do jornal foi disponibilizada para ser mostrada na revista de imprensa deste sábado, com pedido de embargo até às 24 horas. Um pedido de embargo significa que ninguém pode utilizar as informações disponibilizadas até à data em causa. A informação é cedida com o objectivo dos jornalistas a poderem trabalhar, possibitando a posterior apresentação da notícia mal o embargo termine.

Leio hoje no DN que esse pedido não foi respeitado. Fiquei, assim, a saber que a paladina da liberdade e do jornalismo “corajoso” não liga muito à deontologia e à ética profissional. Pior, fiquei a saber que Manuela Moura Guedes, não é de confiança.

Foi assim tão má a opção tomada? Tanto mais que o Expresso já andava, há dois dias, a anunciar essa entrevista no site da Internet? Um exemplo, com algum exagero, reconheço, mas que funciona. Imagine que um amigo, que toda a gente sabia que tinha feito uma biopsia, lhe conta que, de facto, tem um cancro e lhe pede para não revelar a ninguém durante as próximas quatro horas, porque prefere ser ele a dizer aos amigos e à família. Você, alegremente, esquece o pedido e a consideração que o amigo lhe merece e, para brilhar, para ser o primeiro, desata a telefonar a toda a gente e a contar o que sabe. Garanto que além de se transformar num estafermo, o seu amigo, provavelmente,o irá apagar da lista de contactos.

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Fotografias que mudaram o mundo

São imagens que mudaram, ou ajudaram a mudar, o mundo. Todo o mundo, não sei, mas o mundo de muitas pessoas, lá isso não tenho dúvidas.

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Vale a pena ver e apreciar. E, já agora, não não for pedir muito, ultrapassar o ver, tentar o olhar e o reflectir.

Algumas das imagens têm um pequeno texto a acompanhar. Outras, não.

Aqui…

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i hoje nasce um novo jornal

Sempre gostei de jornais. Do desfolhar das folhas, do papel mais ou menos grosso, mais ou menos aguado, da tinta, mais ou menos suja, das letras a saltitar, das fotografias grandes ou pequenas ou mais ou menos, dos filetes, dos desaparecidos linguados, dos títulos, das gordas, das magras, das colunas, das caixas baixas ou altas, de tudo.

Leio jornais desde pequeno, desde o tempo em que as páginas eram todas a preto e branco e cinzento. Desde a altura das enormes páginas do Jornal de Notícias, que eram quase do meu tamanho. Desde o momento em que colocar as mãos no jornal significava sujar os dedos de tinta.

Eram os dias em que o Expressa chegava ao grande Porto, na maior parte das vezes, ao início da tarde. Era a hora da corrida ao quiosque para o comprar. Algumas vezes vinha de mãos a abanar. Já tinha esgotado. Após umas três ou quatro vezes, tomei uma resolução: reservei o jornal. Foi tiro e queda.

Às bancas chegou hoje um novo jornal: i. Elogie-se a coragem. O i terá de algo muito mais do que apenas mais um. Terá de ser um produto diferente e de qualidade para chegar junto do seu público. A tarefa não é fácil.

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“Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala”

“Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala. Não se cala a imprensa. Cala-se o povo”. A frase é do poeta e artista inglês William Blake. Foi dia no século XVIII mas podia ter sido dita hoje. Foi escrita por Blake mas confesso que gostava de a ter dito eu próprio. Por vezes dá-me inveja de frases que dizem tudo.

Assim, neste dia, quando se assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, e quando, citando um relatório internacional, o Público diz que “a liberdade de imprensa no mundo diminuiu pelo sétimo ano consecutivo e é ameaçada pela crise económica global”, não me apetece dizer mais nada.

Pode ser que amanhã o mundo esteja melhor.

Também publicado em Aventar.

Será por causa da comparação?

A sério. Cheguei a pensar que, nestes tempos agitados, já nada, vá lá – quase nada -, me surpreenderia. Enganei-me. Está a ser algo frequente nos últimos tempos. Tenho de passar a ser mais cauteloso ao exprimir algumas certezas.

Vamos ao que interessa, que as minhas dúvidas são contas de outro rosário.

Surpreendeu-me que um simples artigo de opinião (no DN), com o qual podemos ou não concordar, mas que não é insultuoso (acho eu), leve um chefe de Governo, ainda por cima o nosso, seja ele bom ou mau, a processar judicialmente um jornalista, neste caso João Miguel Tavares. Será por causa da comparação com Cicciolina?

O “caso Freeport” nos retalhos do tempo

Excelente a infografia sobre o processo Freeport que o jornal Público disponibilizou no seu site. É uma boa maneira de colocar por ordem os principais elementos de um caso que não deve ficar por aqui. Pode ser vista AQUI

É ainda um bom exemplo de como o jornalismo visual deve ser: claro, simples, apontar os elementos fundamentais e ajudar a esclarecer a teia de factos dispersa pelo tempo.