Chile: Sismo de 8,8 na escala de Richter
No Big Picture
Vinte anos é muito tempo. Se Paulo de Carvalho cantava, há uns anitos, “10 anos é muito tempo”, imagine-se agora 20. É o dobro.
Numa entrevista sobre um dos mais célebres lances do futebol português, ao jornal i, Vata garante: "Havia vento e marquei com o peito. A sério, é como lhe digo". O “marquei” refere-se ao golo que apontou – com a mão ou peito – pelo Benfica ao Marselha, para a Taça dos Campeões, há 20 anos. Um golo que valeu a presença na final, perdida.
As convicções, respeitáveis, de Vata são lá com ele. Os rapazes do Marselha é que não estavam nada convencidos. Uma outra mão, ainda mais famosa, a ‘mão de Deus’, tinha sido há apenas quatro anos…
É Larry David que vemos quando vemos “Tudo pode dar certo” (título que não faz jus ao original ‘Whatever works’). É o autor e actor de Curb your Enthusiasm e argumentista de Seinfeld que nos surge, ao fim de uns minutos, a olhar para nós e a conversar, de forma unidireccional, connosco. Em concreto não é uma conversa. É ele que nos interpela, incluindo àqueles que comem pipocas de boca aberta. É a voz dele. Mas, na verdade, quem ali está é Woody Allen. É o realizador e argumentista do filme que é o nosso verdadeiro interlocutor.
É Larry David que surge mas é Allen que fala connosco. O estilo, os tiques, a postura, os gestos são de David. O discurso, as palavras e as histórias da película são do realizador de “Manhattan”. E ainda bem que Allen preferiu não protagonizar a fita, deixando ao comediante radical a tarefa de desempenhar um homem complexado, paranóico e com tendências suicidas. Um homem que “quase ganhou o Nobel da Física” e que ganha a vida a ensinar crianças a jogar xadrez mas a quem trata mal. Muito mal. Um homem sarcástico, que canta os parabéns a você enquanto lava as mãos e sofre de pesadelos.
A tragédia provocada pela tempestade na Madeira é só mais uma prova da nossa fragilidade perante a natureza. Dizemos sempre isto quando as forças naturais nos afectam. Mas depressa o esquecemos quando tudo regressa à normalidade.
Mas não há regresso à normalidade para quem perdeu familiares ou amigos nesta tragédia.
A privacidade é uma coisa tramada. Num momento estamos a zelar por ela de forma furiosa, capazes de tudo para preservar o nosso cantinho, a nossa intimidade. Afinal, o que é que os outros têm a ver com a minha vida. Acaso eu me meto na deles? Faço-lhes perguntas incómodas? Sim, daquelas perguntas que eu não quero responder se as fizessem a mim? Não, pois não. Então não se metam na minha vida.
Imagine como seria ‘divertido’ se um ladrão posta-se no Twitter, Facebook ou noutra rede social: "A assaltar a casa do utilizador tta34yty que está de férias nas Caraíbas. Ena, tem plasma de 42 polegadas".
A não ser, claro, que eu permita isso mesmo. É evidente que há certas perguntas que não respondo cara a cara mas que quiserem mesmo saber, o melhor é analisarem o que faço na internet. Lá podem saber tudo. O que penso, onde estive, onde estou ou para onde vou. Catita, não?
Na internet estamos muito mais à vontade. Primeiro não temos ninguém à nossa frente a fazer-nos perguntas e isso é muito mais tranquilo. Hei-de agora dar respostas a uma pessoa à minha frente, que até conheço, quando posso muito bem dar todas as respostas a um mar de gente que não conheço de lado nenhum…
O Ministério britânico da Defesa e o British National Archives libertou 24 ficheiros contendo mais de seis mil páginas sobre objectos voadores não identificados (ovni). O material cobre ‘avistamentos’ entre 1994 e 2000.
Os ficheiros estão disponíveis para download de forma gratuita.
A coisa nasceu há já uns bons anos. Na rádio. Primeiro surgiu devagar, depois, como os coelhos, foi-se reproduzindo de forma rápida e imparável. Generalizou-se por muitos dos relatadores e comentadores futebolísticos das rádios, das nacionais às locais, passou a ocupar espaço no léxico dos narradores e comentadores de futebol das televisões e até chegou aos jornais, num contágio fulminante.
A frase é simples e até pode soar bem: “correr atrás do prejuízo”. Sim, todos sabemos o que pretende dizer. Mas, já agora, um esclarecimento: alguém no seu perfeito juízo corre atrás do prejuízo?
Já calculava que a resposta fosse não. Então e se deixassem de usar a frasezinha parva, hem?
Parece-me incontestável que uns palermas do PS, com a complacência, a anuência, o apoio, do primeiro-ministro urdiram uma teia destinada a eliminar da comunicação social vozes dissonantes dos muitos predicados do chefe do executivo.
Parece inegável que, além de imprudente, José Sócrates fez uma triste figura ao abordar, num restaurante cheio, responsáveis de uma estação televisiva acerca do “problema Mário Crespo”. Mais uma vez pôs-se a jeito. É repetitiva esta habilidade de se comportar como um elefante numa loja de porcelana.
É indiscutível que o chefe do Governo aldrabou o país no caso PT / TVI. A confusão entre o saber de forma oficiosa ou por via oficial não abonou a favor do primeiro-ministro. O cargo exige que nada do que lhe chegue ao conhecimento seja oficioso. Tudo o que lhe chega ao conhecimento é oficial. Ponto.
Parece-me absurdo que o país grite “censura” no caso da publicação, pelo semanário Sol, das escutas do processo “Face Oculta”, sem conhecer os fundamentos invocados na providência cautelar apresentada pelo agora famoso administrador da PT.
Parece-me absurdo que se fale em censura e “algo nunca visto em Portugal desde o 25 de Abril” quando, em diversos jornais, revistas, estações de rádio e televisão, Manuela Moura Guedes, por exemplo, tenha possibilidade de dizer e repetir que há censura em Portugal.
Foi com esta espantosa imagem, tirada na hora certa, que Robert M. Palmer, de Littleton, Colorado, EUA, ganhou o Grand Prize do concurso anual de fotografia do National Wildlife.
Um estupor de um indivíduo decidiu visitar, fora de horas, um supermercado em Almancil. Fez um buraco na parede como forma de entrar, porque isto de entrar pela porta é algo do passado. A malta agora prefere janelas, telhados ou buracos na parede. Acontece que o buraco laboriosamente executado ficou pequeno. Demasiado pequeno. O fulano tentou passar, ignorando algumas leis da física, e ficou preso no espaço. Nem para dentro, nem para fora. Ali ficou, constrangedor. Metade do corpo dentro, outra fora.
Quando alguém o detectou, em vez de ajudar o pobre coitado, resolveu primeiro chamar a polícia. Veja-se que pensaram que ele queria roubar o supermercado. Lá por ter ido fora das horas de abertura não quer dizer que o fosse roubar. Ele não tinha culpa do dono do estabelecimento ter vistas curtas e não querer trabalhar 24 horas por dia.
O proprietário, apesar de desconfiar que teria sido alvo de furto, na figura do supermercado, decidiu não apresentar queixa. Consta que não tem muita confiança na forma como a justiça funciona. Vá lá saber-se porque.
Agora, o nosso amigo, injustamente acusado de ladrão, quer processar o dono do estabelecimento por alegadas agressões nas pernas. É certo que com as pernas de um lado e os olhos do outro lado da parede não poderia ver quem eventualmente lhe espetou uns tabefes nas pernas. Mas só pode ter sido o malandro do dono, não é?
Por mim, vou-me solidarizar com o estafermo e até vou fazer uma manifestação de apoio. Sempre senti um certo carinho por quem é injustamente acusado. Conto com todos vós.
Mais uma vez não consigo entender a imagem escolhida como vencedora do World Press Photo, o mais importante prémio mundial de fotojornalismo Este é o terceiro ano consecutivo que tal acontece. Começo a desconfiar que o meu gosto deve ser estranho.
A vitória deste ano foi entregue ao fotógrafo italiano freelancer, Pietro Masturzo. O autor apresentou a concurso uma série de fotos efectuadas no Irão, quando dos protestos originados pela reeleição do presidente iraniano. A imagem mostra uma mulher a gritar do alto de uma casa, ao lusco-fusco. Vemos mais alguém no telhado mas não vemos para onde ou para quem se dirige o grito.
O júri diz que "além de ser bela, capta a tensão e a emoção do momento em que os protestos começaram a intensificar-se. A imagem mostra o começo de algo, o começo de uma grande história. Isso passa uma perspetiva e informações importantes, tanto visual como emocionalmente". O presidente do júri, Ayperi Karabuda Eser, explica, assim, a opção, no comunicado divulgado.
Pode ser mas não me convence. Se a ideia era distinguir algo relacionado com o Irão, havia outras opções. Muitas outras, se calhar do mesmo autor. Entre as mais de 100 mil imagens colocadas a concurso garanto que havia fotos mais relevantes do ponto de vista informativo e perante as quais seria possível apresentar a mesma justificação. Basta ver outras imagens premiadas e será possível encontrar melhores imagens. Mais informativas, mais jornalísticas. Sim, sei que estas escolhas são subjectivas, que avaliar fotografias jornalísticas não é um concurso de beleza e de estética, que a vencedora até é uma boa imagem. Sei tudo isso, mas esta não é, para mim, a melhor fotografia jornalística do ano passado. Nem a melhor sobre a questão iraniana.
Fiquei surpreendido. Vale que não fui o único. O fotógrafo italiano ficou espantado: "Nem acredito que venci. Nunca pensei que fosse possível um freelancer ganhar o prémio máximo", disse Pietro Masturzo à Associated Press. Eu também não acredito que esta foto venceu. Também nisso estamos de acordo.
Para quatro pessoas: 1,2 kg de polvo; 400 gr de arroz; 2 cebola grande; 2 alhos; 1 folha de louro; 2 tomates, 1,75 litro de água da cozedura do polvo, 2,5 dl de azeite; Sal, malagueta q.b.
Primeiro, coza o polvo em água com uma pitada de sal e com uma cebola grande descascada mas inteira dentro. O polvo estará cozido quando a cebola também estiver. Retire-o e escorra-o. Guarde a água da cozedura. Corte os tentáculos e o capuz do bicho em pedaços pequenos.
De repente esta é a melhor promoção de sempre do Sol. Mais um caso em que o feitiço resultou contra o feiticeiro.
“Ser livre não significa apenas libertar-se das correntes mas viver de forma que respeite e envolva a liberdade dos outros”.
Nelson Mandela, prisioneiro político durante 28 anos
Depois de o terem apelidado de “reaccionário”, numa boa campanha de promoção da SIC Notícia, os Homens da Luta, Jel e Falâncio, estão ao lado de Mário Crespo contra a censura, naquilo que chanaram de “Pequena, mas sentida, Cantiga de Solidariedade para o Mário Crespo”:
Há um bom motivo para aguardar pela final da Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano: a publicidade. Paga a peso de ouro para ser emitida numa dos inúmeros intervalos do jogo, é um dos momentos do ano em que as principais empresas apostam forte em conseguir o máximo de atenção.
A criatividade dos publicitários tem aqui um dos momentos chave. Todos os anos há anúncios brilhantes, outros bons, alguns razoáveis e uns quantos fraquinhos. Quase todos apostam na surpresa.
Este é o da Doritos:
E este o da Motorola…
“Quanto pesa a vossa vida? Imaginem, por um segundo, que carregam uma mochila. Quero que a encham com todas as coisas que têm na vossa vida…”
Ryan Bingham, Up in the air
Podia ser o lema de Nas Nuvens (Up in the air): quanta vida cabe numa mochila? As coisas e as pessoas de que e de quem gostamos ocupam que espaço? O quê ou quem deixaríamos pelo caminho se não conseguíssemos transportar tudo e todos aqueles que consideramos importantes?
Esta é uma das perguntas que nos ocorrem quando a personagem de Ryan Bingham realiza palestras sobre motivação profissional. E sobre o que nos cabe na mochila. O homem interpretado por George Clooney vive a fazer ligações aéreas. É nessas que ele é bom, é nessas que tem objectivos estabelecidos. As ligações pessoais não constam do seu cardápio. São passageiras, quase irrelevantes.
Ryan ganha a vida a despedir funcionários de outras empresas. Viaja pelo país nessa tarefa. Passa menos de 50 dias em casa ao longo de um ano e são, para ele, os piores dias do ano. No regresso ao apartamento percebemos porquê. É uma casa a quem alguém terá dificuldade em chamar de lar. Mas isso não interessa a Ryan. Na sua mochila não cabem muitas pessoas e muitas coisas. Há sempre um espaço para os muitos cartões que utiliza. E é graças a eles que conhece Alex Goran. Ryan e Alex trocam cartões de todas as espécies como quem troca fotografias dos petizes que deixaram em casa e de quem têm saudades. A certo ponto Alex diz a Ryan que ela é como ele, só que com vagina.