Resoluções de ano novo? São uma trampa

Todos os anos é a mesma coisa. Ancorados no espírito de ‘ano novo, vida nova’, estabelecemos uma série de ideias e objectivos que queremos cumprir. Chamamos-lhes ‘resoluções de ano novo’. Dizemos para nós mesmos que, desta vez, sim, desta vez é que é.

Na maior parte dos casos, 365 dias depois verificamos que não foi. Mas nesse momento há há novas ‘resoluções de ano novo’, porque há mais um ano a chegar e, sim, agora sim, é mesmo. É a partir de agora que vamos fazer tudo aquilo que tínhamos pretendido já ter feito mas não fizemos.

Já todos estivemos lá. Não faça grande caso. A vida é feita de todos estes momentos.

Os ‘coitadinhos’ dos ‘revoltados’ são umas bestas

Dizem que tudo começou porque uns malvados de uns polícias mataram um cidadão. Depois uns jovens revoltados contra o tal assassinato e, por certo, incomodados com o rumo que a sociedade leva vieram para a rua numa “manifestação pacífica”. Mas os polícias maus também foram a esse protesto civilizado e houve confrontos.

Os tais jovens, uns idealistas, pacifistas, mas revoltados por uma sociedade opressora desataram a arremessar pedras e explosivos contra os maus, queimaram estabelecimentos comerciais e casas onde moram pessoas, por certo agentes infiltrados de um qualquer poder instalado, apenas para se aquecerem, que as noites de Londres andam frias, e roubaram tudo o que puderem. Aliás, não roubaram, retiraram aquilo que legitimamente lhes pertence e lhes tinha sido retirado por outros elementos de uma ditadura espartana.

Dan Istitene/Getty Images

Depois há outras pessoas com interrogações. Será que esta alienação da juventude, pela sociedade em que vivemos e tal coisa, não poderia manifestar-se de forma mais, sei lá, civilizada? Os coitados dos deserdados, vítimas de uma política de direita sem preocupações sociais não poderão protestar sem destruir e roubar o que é dos outros?

Um polícia, mau, já se sabe, “assassinou” um cidadão e a resposta é incendiar, destruir, pilhar, roubar? É uma reacção às desigualdades, às injustiças? Digam isso a quem viu as casas e negócios queimados e a quem pode ter perdido o emprego graças à ‘revolta’ dos ‘desgraçados’.

Será que todas as loucuras que se cometem em nome de um combate às injustiças sociais têm desculpa? Ou será tudo isto ganha relevância num par de calças?

Peter Macdiarmid / Getty Images

Poderia ter sido um protesto mas num instante passou a vandalismo. E o vandalismo não tem ideologia.

(Mais imagens em In Focus)

Gonçalo M Tavares ou quando os prémios são como as palavras e as cerejas

No caso dele, os prémios são como as palavras e as cerejas. Vêm uns atrás dos outros. Ele é Gonçalo M. Tavares, escritor português, a caminho dos 41 anos, mas já com uma obra cheia de livros, páginas e prémios.

E quase se pode dizer que uns andaram a par dos outros. Um livro, pumba, um prémio. Um livro, uma reacção crítica positiva.Outro livro, outro prémio e mais críticas positivas. Mais, a coisa acontecia cá e lá fora.

Os elogios são tantos, os prémios são tantos, que um gajo desconfia. Começamos a olhar de lado, meio desconfiados de tantas coisas boas que acontecem a um mesmo indivíduo. Só pode ter nascido de rabiosque para a Lua.

E assim fui resistindo. Nem sei bem porquê. Fui.

Por estes dias desisti. Chegou mais um prémio para o homem, agora o de Associação Portuguesa de Escritores, e dei-me por vencido. Vou ler um livro dele.