A Visão chama-lhes aldeias irresistíveis. E bem.
Uma infografia para ver, apreciar e guardar.
Sidney Lumet, 86 anos, morreu. O realizador que preferia as ruas de Nova Iorque às paisagens de Hollywood morreu este sábado, em casa, em Mahhattan.
Realizou alguns filmes que ficam para a história da sétima arte, como 12 Homens em Fúria, Serpico, Um dia de Cão, O veredicto e Escândalo na TV (Network).
”Embora o objectivo do cinema seja entreter, o tipo de filmes em que acredito vai um passo mais longe. Obriga o espectador a examinar um factor ou outro da sua própria consciência. Estimula o pensamento e faz fluir a mente”, anunciou um dia o realizador.
12 Homens em Fúria, o seu primeiro filme, foi um sucesso e marcou uma série de fitas relacionadas com o funcionamento dos tribunais nos EUA. Cerca de duas décadas depois fez o seu mais relevante filme. Network (1976) foi baseado num texto de Paddy Chayefsky e abordava o universo da televisão e a hipocrisia da sociedade do país.
Com ar grave mas azedo. Com um aspecto cansado mas sempre preocupado com a imagem. Sempre pronto para dizer que ‘todos’ os portugueses têm de compreender o pedido de ajuda financeira de Portugal. Que ‘todos’ temos de colaborar.
Já a culpa pelo estado lastimável do país, seja financeiro, económico e social, não morre solteira. Desta vez temos a quem apontar o dedo. A quem pedir responsabilidades. Quem? À oposição, claro. Sim, que os Governos de José Sócrates não têm culpa nenhuma, não são responsáveis. São uns pobres coitados que agora ficaram com o menino nas mãos.
Já nem é um caso de falta de vergonha ou aldrabice. É patológico.
Não vale a pena esconder. Estes são tempos difíceis e de trevas, na economia e na sociedade. Portugal passa, provavelmente, pelo mais complicado período da história do pós-25 de Abril. Por falar nisso, façamos um pequeno regresso ao passado. Vamos até 1976.
O artista brasileiro Augusto Boal (1931 – 2009) mora em Lisboa, exilado, em fuga de uma ditadura repressora. Por Lisboa há-de ficar dois anos, antes de rumar a Paris, num percurso que começou em 1971, depois da prisão e tortura, forçando-o a fugir para a Argentina, e que só terminará em 1986.
Na capital portuguesa recebe um dia uma carta em forma de disco. No vinil negro, Chico Buarque tinha ‘escrito’ o momento que o Brasil estava a viver. Dias em que em é preciso “pirueta pra cavar o ganha-pão”, num povo que “vai cavando só de birra, só de sarro”.
Regressemos a 2011. Por estes dias, o inverso. Um qualquer Chico português pode enviar uma carta, um email, um disco, um ficheiro MP3 a um qualquer Augusto no Brasil.
Com muito ligeiras alterações (tanto mais que a Marieta já não é a mulher do Chico), a letra adequa-se na perfeição a estes nossos dias de portugueses às escuras.
Também publicado em Aventar
Na época transacta o Benfica podia ter feito a festa do campeonato no Estádio do Dragão. Não conseguiu. Esta época o FC Porto teve oportunidade de confirmar o título de campeão no Estádio da Luz. Conseguiu.
Segundos depois do fim do jogo, as luzes da Luz deram ‘kaput’. Os holofotes deram o berro, a escuridão tomou conta do relvado e das bancadas, qual Ptolomeu dos tempos modernos que roubou o fogo da celebração dos ‘deuses’ do relvado. O sistema de rega foi accionado. Muitos espectadores devem ter entrado em pânico. A polícia também.
E, assim, dos palermas ainda vai rezar esta história.
É que, para o futuro, fica o resultado, o título de campeão do FC Porto e a atitude patética e infantil da direcção do Benfica. O que vale é que o clube em causa é maior que alguns imbecis que o dizem representar.
*Título adaptado de um romance de António Lobo Antunes
Também publicado em Aventar
Uns 30 minutos foram hoje suficientes para justificar as razões da minha opção pelas compras online.
Gente por todo o lado, alguma a comprar, muita a passear, outros tantos a conversar no meio dos corredores, um local sempre bom para palestrar, filas em vários locais, sobretudo nas caixas de pagamento.
E perceber porque razão prefiro fazer compras pela Internet. Bem-dita rede.
Fernando Sousa aproxima-se e estende a mão. Apresenta-se de sorriso aberto. Este é o homem que o Grupo FDO cativou há cerca de dois anos e meio atrás para dirigir os cinemas dos centros comerciais Vivaci. “Não percebia nada de cinema”, admite, sem qualquer vergonha. Era mais automóveis. Durante 15 anos foi chefe de vendas e director de marketing de empresas de automóveis. Um dia foi desafiado a interpretar um papel diferente.
Tal como a definição de Fernando Pessoa da famosa bebida que vende nos bares das suas
salas, primeiro estranhou e depois entranhou. Ficou com o ‘bichinho’ desde o primeiro dia. “Entrei numa cabina de projecção e pensei ‘isto deve ser fantástico’”. Deve mesmo, atendendo à paixão com que fala da exibição de filmes. Já pouco os vê, lamenta. O último tinha sido, com a família, “Harry Potter e os talismãs da morte”. Agora vale-se de apenas uns minutos quando entra numa sala para um breve vislumbre a meio da projecção. Ou dos trailers, que aprecia mais na qualidade de director de cinema do que de espectador. Esta é uma arte mas também é um negócio.
Como um qualquer realizador de Hollywood, local de onde chega a maior parte das produções que mostra, cabe-lhe dirigir um grupo de salas de cinema que o grupo FDO construiu nos centros comerciais Vivaci. Na Guarda, Caldas da Rainha e Maia.
Nas terras do Lidador, o centro comercial abriu em Novembro de 2009, a exemplo das salas de cinema. Os dois primeiros meses servem para muito pouco. Num primeiro take há o efeito novidade. Num segundo take, a proximidade do Natal. Os doze meses de 2010 foram, assim, aqueles que mereceram a sua atenção, agora que se trata de olhar para trás. Feitas as contas, a conclusão é de que correspondeu às expectativas criadas. Mas não foi fácil.
Como num qualquer filme de suspense, o argumento sofreu um ‘twist’ no final dos primeiros quatro meses. Perante uma concorrência forte na área envolvente, a administração do Vivacine teve de encontrar um novo cenário. “Tivemos de, a certa altura, fazer o acerto necessário para obter os espectadores pretendidos. O cinema é um acto de habituação”, refere Fernando Sousa. Se as pessoas estão habituadas a frequentar um cinema, criam rotinas e preferem, por norma, essas mesmas salas para as visitas ao mundo do grande ecrã.
A missão do Vivacine passou por conquistar clientes, primeiro, e conserva-los, depois. Um objectivo que Fernando Sousa dá por atingido. “Oferecemos um bom serviço, com salas de qualidade, sempre limpas”, assinala. São limpas entre cada sessão, todas as manhãs de forma mais profunda e higienizadas todas as semanas.
Dizem que saber esperar é uma grande virtude. Está visto que não sou um virtuoso.
Fiona Walker tinha 18 anos. O namorado, Martin Elliot, era fotógrafo e desafiou-a a fazer fotografias num court de ténis, em Birmingham. Um delas acabou por ser vendida e tornou-se um ícone dos calendários durante anos.
Assim, de forma simples, Fiona, em concreto o seu traseiro, entrou para a história. Ela, que nem sequer gostava de ténis, ficou ligada à modalidade para sempre. A raquete e a roupa eram emprestadas, o chapéu era do pai dela. As bolas eram utilizadas pelo cão dela para brincar.
Não recebeu dinheiro nenhum pela imagem que rendeu a Martin uma bela soma.
Fiona, hoje com 52 anos e três filhos, foi desafiada a posar outras vezes mas recusou sempre. Não se arrepende de ter feito a imagem. A sua identidade nunca foi revelada, até esta semana, 35 anos depois, em que assumiu que as pernas e o rabo são dela.
Elliot morreu o ano passado, com 63 anos.