Aderi ao MANEPA

Há uns anos atrás, Woody Allen escrevia um divertido “Para acabar de vez com a cultura” (tradução muito livre de “Getting Even”). Tivesse eu artes de escrita ao nível do cineasta, e idêntica capacidade cómica, e avançava já com um belo libelo: “Para acabar de vez com o Natal!”.

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Há quem advogue que esta é mais linda, animada, ternurenta, espiritual e solidária época do ano, repleta de paz e amor. Por mim, sempre a considero a mais hipócrita, irresponsável, favorecedora do instinto consumista e stressante. São menos estas definições negativas do sentimento natalício que as positivas, é certo, mas são mais que suficientes para caracterizar uma época em que uma parte da população age de modo particularmente imbecil.

Por exemplo. A ideia de ajudar os mais pobres nesta temporada, ‘porque é Natal’, soa, em absoluto, ridícula. Os pobres e desfavorecidos não precisam de apoio ou ajuda no resto do ano? Para a maior parte, pelos vistos, não. Durante 360 dias, vá lá, que se safem como podem, esses malandros que não querem trabalhar mas viver de subsídios às nossas custas e uma parte gasta tudo em vinho. Nos restantes cinco dias, temos de ser solidários e ajuda-los, coitados, a vida está dura para todos e eles não têm tido sorte. E um copo de vez em quando não faz mal.

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Que fazer perante bestas deste calibre?

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Que espécie de monstro é o cabrão que espetou 50 agulhas dentro do corpo de uma criança de dois anos? Havia agulhas metálicas espalhadas pelo tórax, abdómen e pernas, uma delas perfurou um pulmão.

Conheci o caso ontem, bem cedo. Mas as informações eram ainda superficiais e não se sabia ainda o que estava na origem deste caso insólito. Aguardei. Os exames mostraram que as agulhas não podiam ter entrado no corpo por acidente. Havia algo mais.

Agora sabe-se que foi o padrasto da criança que colocava as agulhas no corpo da criança. Não por um qualquer estranho tratamento por acupunctura mas por vingança da mulher e mãe do menino e por querer deixa-la por uma amante.

O cabrão foi ajudado por duas mulheres, sendo que uma delas faria parte de uma seita religiosa, de bruxaria ou alguma merda do género.

A criança está internada nos cuidados intensivos e os médicos analisam agora quais as agulhas que podem ser retiradas sem causar danos e quais as que serão deixadas dentro do organismo do menino.

Quanto aos energúmenos em causa, oxalá tenham o devido castigo.

Black Eyed Peas com Portugal no Mundial! Iupi

Na derradeira etapa de apuramento para o Mundial de futebol de 2010, Carlos Queiroz revelou que a canção “I gotta a feeling”, dos The Black Eyed Peas, estava a servir de inspiração e motivação para os jogadores nacionais atingirem a qualificação.

Nada de Amália, Mariza, Clã ou Xutos e Pontapés, com um nome mais apropriado ao mundo da redondinha. A selecção queria mesmo a banda norte-americana da moda, Black Eyed Peas. Em especial a cantar ‘I gotta a feeling, that’s tonight gonna be a good night’. Fosse pela motivação musical ou pela melhor arte no chuto da bola, o apuramento lá chegou.

Sabedores da coisa, os The Black Eyed Peas já vieram anunciar que vão apoiar a selecção nacional durante o Mundial 2010. Nem mais. E não se ficaram apenas por meias palavras. Gravaram um vídeo em que agradecem a opção e declaram apoio total.

Será que alguém na federação se vai lembrar de propor a nacionalização dos três moços e da simpatica donzela?

 

Uma coisa de bebidas: da Red Bull ao Vinho de Lisboa

Nem sempre acontece mas, desta vez, concordo com Rui Rio: a transferência da Red Bull Air Race do Porto para Lisboa é “mais um factor negativo do caminho trilhado por um país que não tem juízo por tudo acontecer na capital”. Luís Filipe Meneses afinou pelo mesmo diapasão.

Há umas semanas, com a divulgação das estatísticas sobre a população nacional, o presidente da Associação de Municípios, Fernando Ruas, dizia que o país estava tão inclinado para o litoral que um dia poderia estar a cair para o mar. Agora, se virmos o país como um pódio (pequenino), sempre se pode ascrescentar que o degrau do sul é cada vez maior que o degrau do norte.

Pronto. A Red Bull Air Race vai ser "deslocalizada" do Porto para Lisboa? Que surpresa… Já agora podiam levar a Torre dos Clérigos e o Vinho do Porto pode passar a ser conhecido como Vinho de Lisboa. Produzido na região demarcada do Trancão.

“Avatar”: uma nova realidade

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É um dos filmes mais aguardados do ano e tem estreia simultânea em todo o mundo. “Avatar” é a primeira longa-metragem realizada por James Cameron desde “Titanic”, película que açambarcou 11 Oscars, incluindo o de Melhor Realizador, em 1997. Projecto antigo de Cameron, que o imaginou há cerca de 14 anos, o filme teve a rodagem das imagens reais em 2005 e levou quatro anos de pós produção e de concepção das muitas – inúmeras – imagens por computador.

Cerca de 60 por cento das duas horas e 45 minutos de duração de “Avatar” são protagonizadas por actores reais, de carne e osso. Já os restantes 40 por cento são fruto de animação computorizada, denominada CGI. Realizado também em versão 3D, “Avatar” é um velho sonho de James Cameron, no qual o realizador e produtor empenhou muito do seu prestígio profissional para o fazer avançar. Afinal não é todos os dias que se podem investir mais de 250 milhões de dólares na concretização material de um filme, sem contar com as verbas para as necessárias acções de promoção.

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“Frankly, my dear, I don't give a damn”

São cinco discos em DVD e edição em blue-ray pela primeira vez. É uma edição especial de “E Tudo o Vento Levou”, de Victor Fleming, que estreou nos cinemas há 70 anos. Mais de sete décadas só cimentaram o prestígio deste que é um dos grandes clássicos da sétima arte e, medidas as taxas de inflacção e correcção monetária, o mais rentável de sempre. Mesmo acima de Titanic.

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Foi a 15 de Dezembro de 1939, que estreou em Atlanta, capital do estado norte-americano da Geórgia. Uma festa em grande, que faria corar de vergonha algumas das luxuosas ‘premieres’ dos dias de hoje. Foram três dias de festa e até um feriado estadual. Apesar do essencial da história se passar na Geórgia, quase todo o filme foi rodado na Califórnia.

Foi um sucesso de público e crítica. Ganhou dez Oscars, incluindo o de Melhor Filme, num recorde que durou 20 anos, até Ben-Hur, e continua a ser um dos 10 melhores filmes americanos de todos os tempos, segundo o American Film Institute.

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Uma babel em Paredes

Primeiro o espanto. Um mastro para uma bandeira custa um (1) milhão de euros? Depois leio melhor. Custa, pois. Mas nessa verba já está previsto um arranjo urbanístico numa área de três mil metros quadrados. Assim, tudo muda de figura.

Afinal, não se trata de um simples mastro para uma bandeira. É um monumento, garante o presidente da Câmara de Paredes, autor da ideia, que pretende assinalar os 100 anos da implantação da República.

Garantidamente este será um dos maiores mastros para bandeiras de todo o mundo. É quase tão alto quanto o monumento do Cristo-Rei, em Lisboa, tem mais 25 metros do que a Torre dos Clérigos, no Porto, e até é maior que o Big Ben, a famosa torre – relógio de Londres, que só mede 96 metros.

Para um mastro deste tamanho, está visto que a bandeira terá se ser à altura. Terá 25 por 16 metros. Imagino que o preço da bandeira já esteja no valor total a pagar.

E até parece que já vejo as romarias que se farão para ver este monumento. Ou talvez não, afinal deve ser visível de bem longe.

A vida por um fio

Manila, Filipinas, 27 de Setembro. Chove há dias, graças ao furacão Ondoy. As ruas estão inundadas. A circulação é impossível mas há uma vida para fazer andar. Caminha-se como se pode. Uns pela rua, tentando pisar algo firme porque só a cabeça fica acima das águas. Outros preferem os fios da electricidade. O risco é um pouco menor que o que se pode pensar.

A electricidade foi cortada. Mas não se sabe quando regressa.

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Esta imagem de Erik de Castro para a Reuters é uma das imagens do ano.

O caso Berlusconi e a sociedade de consumo imediato

Talvez Massimo Tartaglia esperasse estes momentos de fama e de sucesso. Talvez não. Terá sido apenas o ódio, o desprezo, ou outro qualquer sentimento negativo que o moveu contra Berlusconi, não a busca de uma fama efémera, nem a entrada para a galeria dos malfeitores de famosos.

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No entanto, numa sociedade onde as notícia correm cada vez mais depressa e onde não se pára um segundo para pensar e analisar os acontecimentos, Massimo acabou por, em poucos minutos, se transformar numa estrela do Facebook. Em poucas horas surgiram dezenas de grupos de apoio ou de crítica e contestação.

Houve de tudo. Grupos de apoio apenas com o nome do agressor de Berlusconi, outros mais elaborados: “Liberdade para Massimo Tartaglia”, “Apoio a Massimo Tartaglia”, “Salvemos Massimo Tartaglia”, “Contra Massimo Tartaglia”, “Morte a Massimo Tartaglia”. Numa das páginas, alegadamente de Massimo Tartaglia, estão inscritos mais de 35 mil fãs.

O homem tem 42 anos e, dizem os media italianos, um historial de doença psiquiátrica. Massimo ficou detido após a agressão e foi acusado de “ofensas graves e premeditadas”.

Há uns 20 anos, os Táxi cantavam as desventuras da relação de uma chiclete com uma música, ambas reflexo de uma “sociedade de consumo imediato”. Se era assim há 20 anos, como será agora?