Um calendário especial

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Há uns anos, quando adolescente, entrar numa oficina de automóveis era um pouco como aceder a uma ala do paraíso. Não por causa das ferramentas, dos mecânicos com óleo nas mãos, do ronco dos motores ou sequer de alguns belos exemplares da criatividade da indústria automóvel. Eram os calendários.

Não havia oficina que não os tivesse. Os calendários. Fossem feitos de várias folhas e fotografias ou apenas de uma folha base com pequenas folhinhas onde surgiam os dias da semana e de cada um dos meses, eles estavam lá. Com a sua principal característica, as raparigas nuas. Em meio corpo ou corpo inteiro.

Eram calendários que surgiam sempre ligados à indústria automóvel. Fornecedores de peças, sobretudo. Muitos apareciam nas cabinas dos camionistas que circulam por essas estradas fora.

O mais famoso, o mais cobiçado, era o da Pirelli. Não era um simples calendário. Bom, ali, na oficina automóvel, parecia um simples calendário. Mas não era e continua a não ser. Era – e deve continuar a ser – uma obra de arte.

Este ano, a marca escolheu o excêntrico fotógrafo americano Terry Richardson, que foi ao Brasil fazer as imagens de cerca de duas dezenas de modelos.

Terry é o sucessor de fotógrafos como Robert Freeman, Brian Duffy e Harry Peccinotti, entre outros. Quis imagens simples, sem retoques. O mais natural possível. Ainda bem.

Todos os anos, a construtora de pneus investe uma pequena fortuna a produzir um dos seus ícones. Deve dar resultado. Convenhamos que ano sem calendário da Pirelli não seria a mesma coisa.

O protocolo

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Esta imagem pode ou não dizer muito. Conforme a vossa disposição para a interpretar. Eis a minha, em síntese: O Canadiano parece mostrar-se distraído, olha de forma inocente e descontraída. Parece mesmo mais preocupado com a gravata e com os botões do casaco. E provavelmente está. A jovem senhora do protocolo quer recolher o papel com a indicação da localização do representante do Canadá e ele mantém-no preso debaixo do pé.

Perante isto, o estado-unidense mantém o olhar  no horizonte. Aquilo que se passa ali não parece ser nada com ele. Olhar firme, embora algo desconfiado, como a testa e o sobrolho parecem destacar. Posse de Estado, sem mais.

Já os dois europeus, francês e italiano, estão entretidos. O momento parece diverti-los, embora ao francês se deva atribuir um maior grau de boa disposição e ao italiano uma acentuada cobiça.

Nenhum deles mexeu uma palha para ajudar.

Os monstros

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Monstros. Esta será, porventura, a palavra mais serena que encontro para classificar Burrell Edward Mohler Sr. 77 anos, e os seus filhos David A. Mohler, 52 anos, Burrell Edward Mohler Jr. 51 anos, pai de seis filhos, Jared Leroy Mohler, 48 anos, e Roland Neil Mohler, 47 anos.

O primeiro cabrão acima identificado é pai das restantes bestas que surgem a seguir. Foram detidos há dois dias pelas autoridades da pequena cidade do estado do Misouri, nos EUA.

Foram todos acusados de sodomia forçada, violação criança menor de 12 anos e uso de criança para práticas sexuais, actos de bestialidade, obrigar crianças a encenar falsos casamentos e provocar a gravidez e aborto de uma menor a abortar. Muitas das vítimas eram familiares dos acusados, netas, filhas, sobrinhas.

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No Brasil também há talibãs

Era inevitável. O processo Geyse Arruda vai acabar nos tribunais. Este é um daqueles casos estranhos, sobretudo por chegar de onde chega. Se viesse de um qualquer estado com tendências repressivas, como o Irão ou a Síria, talvez não fosse estranho. Seria sempre repugnante mas, enfim, seria mais um entre outros de um moralismo falso e pensamentos retrogados. Mas veio do Brasil, a pátria do Carnaval e de Jorge Amado.

O caso tem alguns dias e muitos detalhes e desenvolvimentos mas o essencial da história conta-se em poucas linhas. Geyse Arruda anda na vintena de anos e é uma mulher vistosa. Estuda na Uniban (Universidade Bandeirantes), uma universidade privada, que diz querer “ser uma instituição de referência na Educação Superior no que diz respeito à qualidade de ensino e do corpo docente, à pesquisa e ao compromisso social”.

Num dia do mês passado, com a Primavera em alta, Geyse Arruda, estudante de turismo, foi para a universidade (reforço universidade para não ficarem com a ideia de ser uma escola pré-primária) com um vestido curto, cor-de-rosa. Nada de mais, um vestido que acabava um pouco acima do joelho. Foi o suficiente para começar a polémica.

Um grupo de energumenos, por certo aprendizes de talibã na Uniban, consideraram o vestido um afronta e uma provocação. Geyse foi insultada. Chamaram-na de “puta” e muito mais. Uma lapidação verbal que faria corar de vergonha os mais intrépidos e agressivos apdrejadores de outros tempos.

O inacreditável tumulto provocado pela mini-saia levou mesmo à interrupção das aulas e à intervenção da polícia militar. O caso, graças às imagens filmadas por telemóvel e postadas na internet, provocaram reacções. Em todo o lado. Até mesmo no gabinete do reitor. Foi aberto um inquérito e no final, zás, corta-se o mal pela raíz expulsando a aluna. Em comunicado, os responsáveis da coisa dizem que houve "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna. Mas quanto às bestas lapidadoras, nada.

As notícias na televisão e nos jornais aumentaram, os blogues foram inundados de posts sobre o assunto e até no estrangeiro houve repercussão do caso. Há quem a defenda e quem a acuse, por alegadamente ter “provocado”. Como se sabe, vestir uma mini-saia é um crime tremendo no Brasil.

Os protestos foram crescendo e a reitoria teve de enfiar o rabo entre as pernas e readmitir a aluna. Geyse quer mais e processou a universidade. Quer uma reparação pela humilhação e a retirada dos vídeos da internet.

Tudo isto, recordo, passa-se no Brasil. A pátria do Carnaval, do Samba, das novelas, de uma banda chamada ‘Calcinha Preta’, de Jorge Amado, de Tieta do Nordeste e de muito mais. Até posso estar enganado mas no próximo Carnaval haverá um samba sobre o “vestido cor-de-rosa”.

O estádio é a nossa casa

Sabem aquela máxima popular que nos relata que uma pessoa muda de partido, de emprego, de camisa, de cara metade mas não muda de clube? Pois, tinha a certeza que sabiam. É mesmo assim. Podemos estar zangados com os jogadores, os treinadores, dirigentes e até com outros adeptos do nosso clube mas não passamos a torcer pelos adversários e queremos sempre ganhar. O futebol é assim, dado a paixões e, na maior parte das vezes, irracional.

Por isso, o estádio é a nossa casa. Podemos morar numa belíssima residência, com garagem para cinco automóveis, uma grande piscina, janelas gigantes que nos inundam de luz, mas a nossa casa, a nossa verdadeira casa é o estádio.

Ansiamos sempre por ver o melhor relvado. Verde, bem aparado, bem desenhado, com as linhas geometricamente calculadas. Um regalo. Então se o nosso estádio for palco de um jogo entre duas grandes equipas, ainda melhor. E um Chelsea – Manchester United é um jogo de encher as medidas de qualquer um. Por isso, não há nada melhor que assistir, com toda a atenção, ao jogo. Ou há?

 

O sopro que nos muda a vida

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Adil Zhilyaev tem dois anos. É cego e sofre de paralisia cerebral e de hidrocefalia. Doenças que herdou da mãe, que esteve exposta, há uns anos, às radiações emitidas pelos testes de armas nucleares pela extinta União Soviética (URSS) no tempo da guerra fria.

Os pais abandonaram Adil, aqui ao colo da enfermeira Larissa Soboleva, no orfanato de Semey, no Cazaquistão, numa imagem de 24 de Novembro de 2008.

Enquanto se assinala hoje o 20º aniversário do Muro de Berlim, uma outra data ficou por registar. Há 60 anos, a URSS fez explodir a sua primeira bomba nuclear, apelidada de “Primeiro relâmpago”, num campo de testes do norte do Cazaquistão. O local, com o nome de Semipalatinsk Polygon, foi cenário de 456 detonações atómicas nos seus 40 anos de existência.

Os habitantes das redondezas foram expostos de forma deliberada, por vezes, de forma imprevista, de outras, aos efeitos da radiação. Foram também sujeitos de testes. Acabaram afectados por doenças como cancro, deformidades, envelhecimento precoce, doenças da tiróide e do coração. Ainda hoje a esperança média de vida é de 17 anos a menos que a média nacional do Cazaquistão.

A radiação afectou três gerações de residentes. Mais de um milhão de pessoas foram afectadas. Umas mais outras menos. Já se vê que Adil foi dos mais atingidos, como muitos outras protagonistas de uma reportagem fotográfica de Ed Ou para a Getty Images, que o Big Picture hoje mostra.

Quando a água e o azeite se misturam

Por vezes o azeite mistura-se com a água. Quando acontece nem tudo é assim tão transparente. Por isso, nem todos os casos de violência doméstica são de diagnóstico simples, porque esta violência, como outras, não é sempre clara como água.

Não são as nódoas negras, nem os braços partidos. São outros sinais, outras mazelas, que um estudo europeu pretende avaliar. Portugal está na primeira linha desta investigação. Ainda bem.

Os chico-espertos voltaram a atacar

Há uns meses o assunto foi falado. A reacção negativa de muitos sectores levou os paladinos detentores da moral legalista a enfiar a viola no saco. Agora, como quem não quer a coisa, pela calada e de forma até algo envergonhada, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu chegaram a um acordo para que as autoridades administrativas dos Estados-membros poderem cortar o acesso à Internet aos utilizadores que façam downloads de ficheiros protegidos por direitos de autor sem uma ordem judicial prévia. Sem ordem judicial, reforço.

O centro da questão é mesmo este. É claro que quem efectua downloads piratas comete uma ilegalidade e pode ser punido por isso. A questão é não ser necessária a intervenção do poder judicial. Basta um fulano sentado a uma secretária assinar um papel e pronto, está feito. Não sei se haverá muitas infracções punidas assim, de forma tão leviana.

Isto não acontece por acaso. É fruto das pressões dos detentores económicos dos direitos, sobretudo editoras musicais, que ainda não perceberam como reagir ao fenómeno da Internet.

Há uns dias, um estudo, mais um, veio confirmar que os “piratas” compram mais música que os não “piratas”. Esta é uma certeza que tem anos. Os génios que administram o mundo da edição musical é que ainda não perceberam isto. Ou não querem perceber.

Não me interpretem mal. Não defendo os piratas. Mas também não defendo os administradores e gestores das empresas editoras que se aproveitam da criatividade de outros para ganhar mais dinheiro com as suas criações do que os próprios criadores.

Finalmente, justiça

Há já uns anos que me interrogava sobre eventuais coisas estranhas relacionadas com estas personagens que algumas pessoas insistem em presentear os seus rebentos. Aquilo, lamento dizer, sempre me despertou olhares desconfiados. Agora foi-me feita justiça.

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Um Teletubby roxo (consta que Tinky Winky) está sendo procurado pela polícia da localidade de  London, no estado de Ontário, Canadá, acusado de roubo durante o Halloween, o Dia das Bruxas.
A polícia refere que a vítima informou que estava a passear sozinha pouco depois da meia-noite de sábado (31 de Outubro), quando foi abordada por um Teletubby armado, que exigiu o dinheiro e fugiu a pé. O ladrão tinha cerca de 1,88 metros de altura e pesava entre 90 e 110 quilos.

A polícia insiste que se tratava de uma pessoa disfarçada de Teletubby. Eu desconfio. Não estou a ver ninguém no seu juízo perfeito a disfarçar-se daquilo. De Chewbacca, ainda vá, agora de Teletubby…?