The Wall: 20 anos de angústias

Angústia, opressão, depressão, medo, isolamento, desprezo, redenção, esperança. Está tudo lá. Em “The Wall”. Hoje assinalam-se os 20 anos da edição do álbum que levou os Pink Floyd a um patamar superior na escadaria da música rock, depois do primeiro passo ter sido dado após o sucesso de “The Dark Side of The Moon”.

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Num duplo álbum, a banda britânica construiu uma ópera rock em redor de Pink, um alter-ego de Roger Waters, que escreveu e interpretou a maior parte das canções. Ao longo dos temas, acompanhamos a vida tumultuosa da personagem: o pai desaparecido na guerra, os abusos e opressões dos professores (num Another Brick in the Wall que ficou para a história como hino revolucionário de uma certa rebeldia estudantil), a mãe super-protectora e controladora, um casamento falhado, as drogas, inúmeros estigmas sociais. Tudo tijolos acrescentados a um muro crescente rumo a um isolamento total. Até à tentativa de redenção final.

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Sporting não quer confusões

O Sporting colocou no mercado uma promoção, a "Gamebox Duo", que só pode ser comprada por casais heterossexuais. É interdito a essas modernices de casais homossexuais. Esses, em primeiro lugar, não devem gostar de futebol e, mesmo que gostem, que comprem os bilhetes comuns.

As normas de acesso à promoção contemplam apenas "dois sócios do sexo oposto" e a "obrigatoriedade de serem Homem e Mulher". Não devem valer travestis, embora o normativo não seja esclarecedor.

Ao jornal i o presidente da Opus Gay, António Serzedelo, referiu não perceber como é que em pleno século XXI, “um grande clube como o Sporting, que terá seguramente sócios homossexuais, pode fazer uma discriminação insultuosa como esta".

Um dirigente do Sporting esclareceu, para que não haja confusões, que esta é “uma campanha para mulheres e não para casais". Esclarecidos, pois.

Daqui se assume que um casal de lésbicas, homossexuais, portanto, pode comprar a Gamebox Duo. Já um casal masculino não, porque não tem mulheres. Ah, perdão, afinal o gajedo que se arma em macho não pode comprar, também. As normas indicam “dois sócios do sexo oposto”. Um Maria e um Manel. Dois Maneis nem pensar, duas Marias também não. Não vá essa malta desatar aos beijos e outras porcarias na bancada e distrair os restantes espectadores do belo jogo praticado pelos 22 machos que andam atrás da bola, no relvado.

O Sporting, clube de elite, de famílias bem, não brinca com as coisas das famílias tradicionais e não vai à bola com paneleirices como os casais do mesmo sexo. É de leão. Alfa, claro.

A mentira

Um dos mais falsos neutrais países do mundo voltou hoje a mostrar a sua verdadeira face, impregnada de uma cínica xenofobia.

A Suíça é uma daquelas coisas estranhas que prefere nunca tomar posição, mas tomando-a sempre. Seja sob a capa do implacável negócio, onde o dinheiro é que mais ordena, seja sob a capa de uma qualquer igualdade. Como no caso dos minaretes.

A Suíça é uma mentira.

Quando as conversas são a 140 caracteres

Existe desde há cerca de quatro anos, mas foi num período de cerca de ano e meio (ainda assim uma eternidade no mundo da internet) que o Twitter ganhou pujança. Beneficiando de uma projecção mediática extraordinária, de umas eleições presidenciais nos EUA onde acabou por ser protagonista, o site de microbloging garantiu um lugar ao sol. Pelo menos durante mais algum tempo. É verdade que o futuro é ainda incerto. O projecto ainda não encontrou um modelo de negócio que lhe permita obter rendimentos visíveis e o Twitter não é um YouTube que, debaixo da alçada da Google, pode ainda continuar a perder dinheiro.

Ferramenta de comunicação em 140 caracteres de cada vez, o Twitter tem milhões de utilizadores regulares em todo o mundo. Muitos dos que se inscreveram pouco ou nada utilizam o programa. Muitos por não verem relevância na coisa, outros por não lhe encontrarem utilidade. Há quem tenha dezenas ou centenas de seguidores. Há quem tenha milhares ou mais de um milhão, como a CNN ou o actor Ashton Kutscher, que fizeram uma “corrida” para ver quem chegava primeiro à marca de um milhão de “fallowers”. O marido de Demi Moore ganhou.

Certo é que, como todas as acções no mundo da Internet (e não só), é preciso ter algum cuidado com o que se diz. Vejamos o que um diálogo de 140 caracteres pode provocar… (vídeo em inglês)

O bom da estupidez é que é grátis

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta”.

Albert Einstein, um dos poucos homens que deveria ter sido autorizado a flutuar acima de todos os outros, deverá ter morrido sem esta certeza. Para aqueles mais dados às prosaicas parvoíces do dia a dia, resta-nos o lamento, o desabafo livre e uma certa dose de indignação.

Algumas pessoas não devem mesmo saber onde têm a cabeça. Duvidam? Vejam então a notícia do ionline, segundo a qual “durante 13 minutos, as conversas dos jornalistas estiveram a ser gravadas por um funcionário do Ministério da Educação”. “Enquanto os jornalistas esperavam por uma declaração do secretário de Estado-adjunto da Educação (…) o funcionário entrou na sala de imprensa e pôs um gravador junto dos microfones e dos tripés que estavam em cima da mesa. Ninguém deu conta de que o aparelho estava a gravar. Durante vários minutos, as conversas dos jornalistas giraram à volta das notícias do dia, nomeadamente sobre o caso Face Oculta. Comentários informais foram trocados entre colegas que não se aperceberam de que estariam a ser escutados”.

Quando a sustentabilidade é selectiva

Há deputados que acham que um cidadão com 40 (quarenta) anos de trabalho e descontos para a segurança social deve ainda contribuir com mais, mesmo que ache que é a altura de passar a descobrir novos horizontes e decida reformar-se.

O Bloco de Esquerda e o PCP propõem na Assembleia da República o acesso à reforma sem penalizações dos trabalhadores que tenham 40 anos de trabalho e descontos para a Segurança Social, independentemente da idade. O PS e o PSD vão inviabilizar. Em nome da "sustentabilidade" da Segurança Social. Dizem que, com esta proposta, a ruptura da Segurança Social não era para daqui a uns anos, era no próximo Orçamento do Estado.

Pergunto-me se não seria má ideia, em nome da sustentabilidade do país, termos uma despesa do Estado menor. Por exemplo, ter menos cargos políticos, com agentes que gastem menos e melhor, com cortes nos desperdícios. Por exemplo, não ter deputados e outros elementos políticos que obtém capacidade de reforma após 12 (doze) anos. São apenas dois exemplos, mas posso arranjar mais.

Estamos em depressão

De repente damos por nós em pleno colapso. Sentimo-nos em baixo, sem vontade, sem determinação, arrasados por uma série de problemas ou circunstâncias, perante as quais não apresentamos capacidade de reacção. Se não estamos em depressão, é um sentimento que anda lá muito próximo.

O pior é quando o colapso é colectivo. Não é apenas uma pessoa, uma família, uma comunidade isolada mas todo um país. Assim anda Portugal.

Mergulhado num mar de incertezas, o país continuam num clima económico miserável, e do qual tardará em sair, um Governo em estado vegetativo, sem rumo aparente, um primeiro-ministro acossado por suspeitas, uma liderança da oposição ausente e naufraga, uma justiça em colapso, enredada em milhares de leis que só servem para a atrasar e uma desconfiança permanente em redor dos seus agentes. Eles desconfiam uns dos outros e o povo desconfia de todos eles.

Estamos deprimidos. Quem nos acode?

O olhar

Esta imagem é candidata ao prémio de fotografia instituído todo os anos pela National Geographic.

Por entre imagens magrníficas, esta, de Richard Rush, é excepcional.

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