O beijo

Qual estátua viva, o britânico Mark Cavendish parece indiferente aos dois beijos que lhe são aplicados na face. O ciclista venceu a segunda etapa da Volta à Irlanda, no dia 22 de Agosto. Por isso, subiu ao pódio, recebeu o prémio e colocou-se a jeito para os beijos da ordem.

As beijadoras, moças de beijar vencedores em todos os dias da corrida de ciclismo, parecem faze-lo com o máximo sentimento possível. Os olhos estão fechados. Uma colocou mais base que a outra mas ambas repuxaram as pestanas. Ambas encostaram o nariz e os lábios nas faces por barbear de Cavendish.

O ciclista dá mostras de parecer que não era nada com ele. Do alto de uma qualquer arrogância de vitória, o corredor surge mais altivo que tranquilo. Será que estava lá?

beijo ciclista

(REUTERS/Stefan Wermuth)

As perguntas do dia são…

1 – Quantas vezes vai Manuela Ferreira Leite (economista, ex-ministra das Finanças) confundir a taxa de IRC com a de IRS? Mais ou menos que no debate anterior?

2 – Quantas vezes vai José Sócrates (líder do PS) referir propostas do programa eleitoral da adversária?

O debate de hoje promete.

Os pilotos da TAP vão para a greve, logo, a crise acabou

O anúncio, feito de forma entusiasta, por Manuel Pinho há mais de um ano, foi prematuro. A crise não tinha acabado. Mas agora acabou. É o que garanto, de fonte segura: eu próprio.

Os pilotos da TAP agendaram uma greve, alegando um “descontentamento insustentável”. Uma classe de trabalhores muito bem remunerados, que laboram numa empresa cujo único accionista é o Estado português – empresa que foi salva e resalva pelos impostos que todos nós pagamos, incluindo os tais pilotos –, acaba de convocar uma greve.

Querem salários mais elevados. Todos queremos. Acontece que a empresa em causa tem dívidas muito elevadas e já teria fechado as portas não fosse subsidiada pelos portugueses. Com muito dinheiro.

Os pilotos da TAP são profissionais bem pagos, que não podem trabalhar horas a mais. Tem responsabilidades elevadas, claro, mas também as tem um motorista de autocarro e precisa de mais de três meses para ganhar aquilo que um piloto aufere em início de carreira.

Fazem greve porque podem. Quem, se calhar, deveria avançar para a greve, não pode. É a diferença.

Assim, só me resta uma conclusão: ânimo que a crise acabou.

Problema de expressão

Os Clã é que a sabem toda. Há uns anos, em Problema de Expressão, já avisavam que “a língua inglesa fica sempre bem / e nunca atraiçoa ninguém”. Por exemplo, o “i love you” serve para dizer que se ama alguém. Mas também serve para dizer que se adora ou gosta de alguém. Deixa no ar uma certa ambiguidade que pode ser útil.

Quando temos um qualquer pressentimento, apresentamos sempre uma certa dificuldade em utilizar as palavras certas. Pressinto isto, desconfio daquilo. Complicado, não? Em inglês, um simples “i have a feeling” resolve tudo. É fácil e de apreensão imediata.

Enfim, haverá mais exemplos mas escuso de vos maçar com isto. O que agora importa sublinhar é a capacidade da língua inglesa de simplificar o que em português pode ser mais complexo.

Haja Alberto João Jardim para o confirmar. Digam lá que “fuck them” não é muito mais elegante – diria mesmo, terno -, que “eles que se fodam”?

Canonize-se, porra!

Consta que, impressionados com o que se passa em Portugal, os serviços do Vaticano estão a analisar se houve algum milagre no nosso cantinho nos últimos dias. Se houve, será aberto de imediato o processo de canonização de Manuela Moura Guedes. A ter acontecido, o milagre só pode ter tido essa proveniência, uma vez que o país parou para debater este caso.

Consta que há até um DVD secreto, gravado por um dos elementos de uma qualquer reunião, contendo revelações chocantes. O bastonário de uma ordem já terá sido chamado para ser, eventualmente, o advogado do diabo neste potencial processo.

Vasco Pulido Valente não foi chamado para comentar nada mas vai escrever a introdução do processo canónico. Há quem diga que quando a polémica acalmar, acaba a crise, mas não há especialistas suficientes para confirmar isto. Talvez se Marcelo e Vitorino estiverem disponíveis.

Em reacção, alguém da TVI, fonte anónima, disse apenas: “Pois…”