Os pilotos da TAP vão para a greve, logo, a crise acabou

O anúncio, feito de forma entusiasta, por Manuel Pinho há mais de um ano, foi prematuro. A crise não tinha acabado. Mas agora acabou. É o que garanto, de fonte segura: eu próprio.

Os pilotos da TAP agendaram uma greve, alegando um “descontentamento insustentável”. Uma classe de trabalhores muito bem remunerados, que laboram numa empresa cujo único accionista é o Estado português – empresa que foi salva e resalva pelos impostos que todos nós pagamos, incluindo os tais pilotos –, acaba de convocar uma greve.

Querem salários mais elevados. Todos queremos. Acontece que a empresa em causa tem dívidas muito elevadas e já teria fechado as portas não fosse subsidiada pelos portugueses. Com muito dinheiro.

Os pilotos da TAP são profissionais bem pagos, que não podem trabalhar horas a mais. Tem responsabilidades elevadas, claro, mas também as tem um motorista de autocarro e precisa de mais de três meses para ganhar aquilo que um piloto aufere em início de carreira.

Fazem greve porque podem. Quem, se calhar, deveria avançar para a greve, não pode. É a diferença.

Assim, só me resta uma conclusão: ânimo que a crise acabou.