A silly season vai continuar

Há crise económica, os partidos políticos dizem-se preocupados e atrevem-se a lançar alguns conselhos e recomendações sobre a melhor maneira de enfrentar e resolver a crise. Esses mesmos partidos aplicam fortunas em campanhas eleitorais, e, nestas, em formas pouco esclarecedoras de promover o debate político.

CAVACO E SOCRATES_3108

Os partidos políticos clamam – melhor será dizer, exigem -, por mais debates políticos e todos querem aparecer na televisão. Demoram meses a chegar a acordo e quando chegam não têm coragem de decidir. Têm de ser as televisões a fazer sorteios. Quando chegar a hora das verdadeiras decisões, o que vão fazer?

Uns lançam um programa político de muitas páginas e palavras. Outros são mais contidos nas palavras mas dizem quase o mesmo. As prioridades são as mesmas, as de sempre. Não pode haver outras, claro.

Continuar a ler

Hayao Miyazaki de regresso

Um filme de Hayao Miyazaki é sempre um acontecimento. Enfim, é um filme de Hayao Miyazaki. Ponto. Bastava ter sido o génio criador do fantástico "Conan, o rapaz do futuro” para merecer um lugar especial na história do cinema animado. Mas Miyazaki fez mais, muito mais.

ponyo

Às salas nacionais chegou a sua, até agora, última produção: “Ponyo à Beira-Mar”.

Realizado por processos tradicionais de animação e inspirado em “A Pequena Sereia”, este é mais um exemplo do estilo de Miyazaki. Conta-nos uma história fantástica através de desenhos elaborados à mão, muitos dos quais feitos pelo mestre, apesar dos seus mais de 70 anos. Foi o responsável pelo mar e as ondas neste filme.

Continuar a ler

Mais uma vez o mundo está ao contrário…

“A viagem sozinho a Fátima corria bem até que, de noite, ‘António’ decidiu parar só para tentar comer qualquer coisa. Voltou com um hamburguer ao carro e, sentado ao volante, mal se distraiu já tinha uma pistola e facas apontadas à cabeça. Acabou sequestrado hora e meia pelos quatro homens que, enquanto roubaram o que puderam do seu multibanco, ainda o espancaram e fecharam-no dentro da mala do carro. A Polícia Judiciária já apanhou três, mas uma juíza libertou-os. E continuam a viver do Rendimento Social de Inserção. De resto, há muito que conciliam os enormes rendimentos no mundo do crime com uma vida recheada de subsídios à custa do Estado – que vai pagando sempre, apesar dos longos registos criminais por roubo, furto e tráfico de droga. Um deles até já cumpriu duas penas de prisão por vários crimes violentos”.

Notícia do Correio da Manhã de hoje.

À pergunta inicial, ficam outras: As milhares de leis que os nossos dedicados parlamentares e governantes aprovam todos os anos (é verdade, temos uma produção legislativa de fazer inveja aos escandinavos) resultam nisto? E ainda querem a nossa confiança?

Os partidos da ala esquerda ainda defendem que estes pobres desinseridos e que nunca tiveram uma real oportunidade na vida devem continuar a ser subsidiados?

Também em Aventar.eu

Uma questão de oportunidade

Há muito se sabe que Presidente da República e o primeiro-ministro andam de candeias às avessas. Como dois miúdos andam às alfinetadas um ao outro. Um pena nas fisgas e envia uma pedra ao traseiro do outro, que responde utilizando um prego para furar o pneu da bicicleta do primeiro.

O país assiste. Como o povo é sereno, estes arrufos não significam muito para uma população que anda a banhos, preocupada com o regresso das aulas e com o que pode acontecer se a gripe A desata a afectar toda a gente.

Agora, Cavaco Silva chumbou a nova lei das uniões de facto. Diz que falta um debate profundo e que é inoportuno. Debate sobre esta matéria é o que não tem faltado, logo Cavaco Silva deve andar distraído ou decidiu apresentar este argumento como poderia apresentar qualquer outro. Ser ou não oportuno tem mais a ver com o tema que com o momento. O Presidente é conservador e não lhe agradam estas modernices. O melhor seria aproveitar estes momentos pré-eleitorais para legislar sobre jipes.

Quando os Simpsons mudam para Angola

Uma das mais famosas famílias do mundo acaba de ganhar mais um espaço em África. Obama? Não, não é a família do presidente dos EUA. É, sim, a família Simpson.

Consta que vão fazer as malas e rumar da nuclear Springfield para a menos poluída África, em concreto para  Angola, conta o jornal britânico Daily Mail.

simpsons_angola_2308

A agência de publicidade Executive Center decidiu encomendar uma promoção animada da família de Homer, Bart e companhia, alterando-os em termos de cor, indumentária e estilo, de forma a ficarem num registo africano.

O sofá está lá, tal como o comando da televisão. O quadro mostra agora uma cena de savana africana e o candeeiro deu lugar a um conjunto de som ao melhor nível do gosto africano.

Independentemente de tudo, e mesmo sabendo que é apenas uma campanha de promoção dinamizada por uma empresa, este é mais um claro sinal de que Angola está a ganhar crescente importância económica e um lugar de maior destaque no mercado mundial.

Tenho a certeza que os Simpsons não se mudariam, ainda que de forma provisória, se não fosse assim.

Duas coisinhas…

Três, vá lá, duas coisas que me incomodam nestes dias. Incomoda-me que a União Europeia não aja quando o Afeganistão aprova uma lei segundo a qual um homem pode ‘condenar’ a mulher à fome se esta não o satisfizer sexualmente. Incomoda-me ainda que, no mesmo país, o Governo proíba jornalistas de qualquer parte do mundo de noticiar eventuais conflitos nas eleições que estão a decorrer.

Incomoda-me também que um alegando elemento da equipa do Presidente da República lance, para diversos jornais, suspeições graves de que a Presidência da República estará a ser vigiada pelo Governo e Cavaco Silva continue de férias e sem nada dizer aos papalvos que residente no rectângulo.

Por certo atafulhado nos processos que enfiou no jipe, o Presidente continua silencioso sobre um caso que mereceria, pelo menos, uma declaração escrita. Fica no ar o prolongamento da suspeição e a suspeita de que o “desabafo” da fonte anónima foi orquestrado.

Isto incomoda-me. Não sei se se passa o mesmo com vocês?

Não sei o que vocês pensam mas eu acho uma boa ideia

No dia 9 de Setembro de 2009 será reeditado em CD o catálogo completo das gravações originais dos Beatles, pela primeira vez remasterizadas digitalmente. No mesmo dia será apresentado o videojogo com a música do grupo: The Beatles: Rock Band.

The_Beatles_1508

Cada CD tem uma embalagem com o grafismo igual ao da edição original inglesa dos anos 60 e ainda pequenos livros em que ao material original foram acrescentados fotografias raras e novos textos sobre a gravação de cada disco.

Continuar a ler

A Execução das Penas, segundo o Simplex

Sim, há as questões constitucionais. Mas no caso do novo Código de Execução das Penas há ainda a questão do bom senso. Depois do facilismo nas escolas, comprovada pelo facto de um aluno (?) com nove negativas poder transitar de ano, chegou o facilitismo às prisões.

O diploma que o Governo quer aprovar permite a colocação do recluso em regime aberto no exterior, mediante simples decisão administrativa do Director-Geral dos Serviços Prisionais.

Enfim, pergunto-me se não haveria maneira de simplificar mais as coisas. Tipo, deter o indivíduo, que é um criminoso por um qualquer motivo que lhe é certamente alheio, dar-lhe uma reprimenda das antigas, numa espécie de sermão, talvez um pequeno puxão de orelhas, sem exagerar por causa da Amnistia Internacional, e depois manda-lo à vida com duas palmadinhas no ombro.

Se o bandidola (encarar como um termo carinhoso) voltar a infringir as regras, sempre pode ficar uma tarde virado para a parede e uma semana sem tocar na consola de jogos.

Os castigos, claro, podem ir subindo de nível, mas nem pensar em enfiar o coitado numa cela pelo tempo a que foi condenado pelo tribunal. Não. Isso pode ser penalizador para a personalidade do ser reprimido. Pode mesmo afectar a sua reabilitação. É preciso dar muitas e muitas oportunidades. Novas oportunidades. As democracias modernas são assim.