O eleitoralismo do Laboratório de Nanotecnologia?

Na inauguração do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia:

Pergunta a jornalista da SIC: “Este agendamento não tem nada a ver com a proximidade das eleições legislativas?”

Reponde o ministro da Ciência, Mariano Gago: “Pelo amor de Deus, isto estava marcado desde 2005”.

Aqui, o que está mal não é a resposta, é a pergunta. Quantos votos é que a jornalista da SIC acha que rende ao Governo a abertura ou apresentação do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia?

Quantas portugueses estarão genuinamente atentos e atribuem importância ao Laboratório Ibérico de Nanotecnologia? Uns mil, dois mil?

Já é tempo de deixarmos de atribuir uma única componente eleitoralista a todo o que se faz a três meses das eleições.

Também em aventar.eu

Essa coisa chamada corrupção

A falta de verificação dos trabalhos a mais nas empreitadas. Ausência de verificação dos termos em que os contratos públicos são celebrados. Falta de controlo sobre conflitos de interesses e favoritismos. Ausência de sensibilização dos funcionários públicos para a intolerância face a casos de corrupção. São algumas das falhas detectadas pelo Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) na actuação dos organismos públicos. E representam “riscos elevados de corrupção”.”

Tudo isto faz de Portugal um país atrasado e com poucas possibilidade de crescer de forma mais justa e solidária. A corrupção mina estruturas governativas, sejam nacionais ou locais, e empresas, sejam grandes ou pequenas, afectando toda a sociedade.

E não tenhamos dúvidas, a famosa instituição da ‘cunha’, mesmo que socialmente seja mais ou menos aceite, é uma forma de corrupção.

Também publicado em aventar.eu

Jardim quer mostrar quem manda

Desalentado por estar a perder o palco das alegrias políticas, João Jardim foi ao fundo da cartola mágica e de lá retirou uma proposta de revisão constitucional. A proposta de revisão já lá está há muitos anos, tantos que, provavelmente, cheira a bolor. Para dourar a coisa, o líder da Madeira resolveu acrescentar uns pontos para tornar a iniciativa mais emocionante e para prolongar o barulho. Assim, sempre volta a ter palco. Quanto mais não seja para matar saudades.

O homem quer as palavras ‘regiões autónomas’ em maiúsculas. Por certo uma questão de estatuto. As regiões autónomas ganham logo outra dimensão se forem REGIÕES AUTÓNOMAS. É ou não diferente? Claro que é. As populações dos Açores e Madeira viverão muito mais felizes. Quer ainda que a expressão ‘Estado Unitário’ seja substituída por ‘Estrutura do Estado’. Estrutura do Estado? Se alguém tiver a amabilidade de me explicar isto, talvez perceba a relevância da mudança.

Continuar a ler

Capuchino perdeu! Aliás, perderia sempre

s01_19641119

AP Photo/Daniel Ochoa de Olza

À direita está Capuchino. À esquerda, “El Fandi”. Este é mais um episódio da luta entre homem e touro. Uma luta sempre desigual, em desfavor do touro, claro. Mesmo que este se apresente de forma valente na arena, o destino é sempre o mesmo: a morte. Seja na praça ou no matadouro.

Este ano Capuchino foi notícia. O touro matou, com os cornos, Daniel Jimeno Romero, uma das pessoas que decidiu colocar à prova a sua “virilidade” correndo à frente dos animais nas festas de San Firmin, em Pamplona, Espanha

Dizem-me que se não fossem as touradas, os touros já estariam extintos, porque ninguém os iria criar. E andarem à solta, nem pensar. Não sei se é ou não verdade.

Continuar a ler

O testamento vital é fracturante

Mesmo sem o admitir, o PS decidiu seguir as instruções do Presidente da República e adiar, para depois das eleições, um dos tais projectos fracturantes, a lei do “testamento vital”. Assim, a lei que garantia os direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado fica adiada para a próxima legislatura.

Simpática como sempre, Maria de Belém Roseira diz que o adiamento não se deve a qualquer medo de um veto presidência mas ao facto de faltarem pareceres. O argumento é bom. De facto, faltam pareceres. Mas devem chegar muito em breve. Logo, o projecto poderia, dentro de dias seguir o seu curso. Na melhor das hipóteses avança depois de Outubro, após a tomada de posse da nova Assembleia da República.

A cerca de três meses das eleições, Cavaco Silva resolveu limitar os poderes do Governo e da Assembleia da República. O árbitro decidiu que o apito era coisa pouca e começou a tentar acertar na bola, primeiro, e a ditar as tácticas, depois. O presidente não quis ser incomodado até às legislativas com projectos e propostas de lei que pudessem maçar uma certa tranquilidade estival. O PS resolveu entrar no jogo. Para evitar chatices.

Depois queixam-se que Portugal é um país de pouca produtividade.

As armas nucleares que podem atingir o Porto e Lisboa

atmosphere_testing_nuclear_weapons

Porto: 7728 ogivas nucleares. Destas, 2347 são dos EUA, 4568 são da Rússia, 192 são do Reino Unido, 121 da China, 300 de França e 200 de Israel.

Lisboa: 6645. Destas, 1264 dos EUA, 4568 da Rússia, 192 do Reino Unido, 121 da China, 300 da França e 200 de Israel.

A nossa sorte é que nos damos bem com toda esta gente.

O espectro nuclear já não paira tão intenso sob as nossas cabeças como num passado que hoje soa longínquo. Mas não deixa de arrepiar a enorme quantidade de armamento nuclear que existe no nosso mundo.

Recentemente, o The Guardian fez um trabalho sobre as ogivas nucleares activas no mundo, a propósito da negociação entre os EUA e a Rússia. Adam Charnock não perdeu tempo e concebeu um algoritmo informático para mostrar as ogivas que estão no raio de alcance de várias cidades do mundo. Nasceu assim o Nukeometer.

Esta é uma matéria que pode não assustar como antigamente, mas que dá que pensar, lá isso dá.

nukesbig_guardian

Um Pedro diferente

Pedro diz que não. Que não regressa. Prefere outros desafios, mais executivos, mais aliciantes que ser deputado da Nação. Pedro, Santana Lopes, claro, garante que não faz tensões de voltar a ser deputado. Não diz nunca. Agora não diz nunca.

Voltou atrás vezes demais para agora arriscar certezas. O homem que, quando presidente da Câmara da Figueira da Foz, jurou abandonar a política por causa uma rábula humorística num programa de televisão, prefere uma linguagem mais cuidada, já sem as certezas de outros tempos. Agora parece não querer cometer os mesmos lapsos e deslizes.

Deve ser da idade.

Mais tempo de antena

Não é só para evitar que “casos como os do BPN não se voltam a repetir” que o CDS-PP avançou já com a proposta de criar uma nova comissão de inquérito ao caso BPN. Depois de seis meses de audiências, perguntas, respostas, silêncios, esclarecimentos ou a falta deles, que muitas vezes até dizem mais que as palavras, ficou tudo, ou quase tudo, dito na comissão parlamentar.

As conclusões da comissão é que não agradaram a todos. Mas quase nunca agradam. O CDS-PP sabia disso, tal como todos os partidos. O consenso seria muito difícil.

A questão é que o partido de Paulo Portas obteve grande protagonismo nesta comissão, graças à participação de um aguerrido e interventivo Nuno Melo. O CDS-PP soube aproveitar a oportunidade de ter um tema que dava jeito, poderia ser popular e onde, ao contrário dos dois grandes partidos, não apresentava pontas soltas.

Querer mais é lambarice. É desejar a continuidade de um processo de massagem do ego, mais do que o esclarecimento público.

Justiça, onde páras?

justica_0707

Ele batia-lhe repetidamente. Foi assim durante anos. Ela, por qualquer motivo, medo, falta de coragem, dependência económica ou apenas amor, embora não se saiba que tipo de amor, não o deixou. Aguentou, sobreviveu assim durante anos, à espera de melhores dias, ou dos dias menos maus.

Um dia, há cerca de dois anos e três meses, no dia 2 de Março, ele – 47 anos de maus fígados -, regou-a com álcool e ateou-lhe fogo, utilizando um isqueiro. Aconteceu na casa que ambos partilhavam, em Barroselas, Viana do Castelo.

Ela sofreu queimaduras em 30 por cento. Resistiu até ao limite. Morreu dois meses depois.

Cerca de dois anos e três meses, o Tribunal Judicial de Viana do Castelo condenou-o a oito de prisão por homicídio da companheira. Os juízes não consideraram provada a intenção de matar. Condenaram-no por crime de ofensa à integridade física qualificada, agravada pelo resultado morte. A moldura penal varia entre quatro e 16 anos. Optaram pelos oito. Pelo meio deram como provado que ele a agredia de forma reiterada e continuada.

Confesso não saber o valor da vida para o colectivo de juízes. Talvez considerassem ser este o castigo mais adequado. Como se compreende, as mentes que julgaram este processo têm alguma dificuldade de interpretação do que é ou não intencional. Para eles, alguém que rega com álcool uma outra pessoa e lhe chega fogo não tem intenção de matar. Talvez magoar só um bocadinho. Talvez causar algum dano. Talvez castiga-la, vá se lá saber porque razão. Matar é que não.