Joel Santana dribla o inglês

Joel Santana tem um excelente currículo como treinador de futebol. Quanto mais não seja por ter sido o único campeão estadual com os quatro grandes clubes cariocas: Vasco da Gama, Fluminense, Flamengo e Botafogo.

Agora, Joel Santana está a treinar a selecção da África do Sul, que recebe o Mundial do próximo ano. Para avaliar das condições de preparação, foi organizada a Taça das Confederações. O treinador brasileiro teve aqui a primeira oportunidade de testar as habilidades dos seus pupilos contra grandes selecções. E a África do Sul terminou em quarto lugar. Nada mau.

O mesmo já não se pode dizer do inglês de Joel Santana. O ‘mister’ bem se esforça para explicar o que aconteceu dentro das quatro linhas mas, na maior parte das vezes, não se sai bem…

Pobres mas alegres… ou mentirosos

Somos mesmo assim. Passamos a vida a queixarmo-nos da vidinha, das dificuldades, do dinheiro que não chega para nada, de que meia dúzia de coisas compradas no supermercado custam um balúrdio, do sol que faz, da chuva que veio. No entanto, somos felizes. Ou mentirosos.

O estudo “Necessidades em Portugal – Tradição e Tendências Emergentes” mostra um país socialmente muito frágil, pouco capaz de se mobilizar individual e socialmente. Mas com altos níveis de satisfação e felicidade.

Portanto, ficamos satisfeito com pouco e as queixas que apresentamos são apenas as necessidade de nos libertarmos de uma ou outra pequena agrura da vida. Ou somos mentirosos.

Somos assim, perfeitos na tradição dos pobretes mas alegretes. Sem ter onde cair morto mas contente por isso.

Se alguma dúvida houver, basta ver as famosas rábulas circenses do palhaço rico e do pobre. O pobre é quem tem as melhores piadas, é quem responde sempre à altura do rico, que sai dali valentemente gozado, embora, no fim, a música e a actuação final coloque os dois em pé de igualdade. É moralista mas parece ser o retrato do país. Os ricos existem e anda por ai, mas são os pobres que ficam com as piadas de qualidade e com a vida que vale a pena. Não têm dinheiro mas têm boa vida.

Nós, os portugueses, somos assim. Ficamos contentes com pouco. Ou somos mentirosos.

A internet e Jackson

O processo de informação da morte de Michael Jackson é mais um claro sinal dos novos tempos informativos. Mais uma vez não foi um órgão de informação convencional, uma televisão, um jornal, uma rádio ou uma agência noticiosa, que avançaram a notícia em primeira-mão. Foi um blogue. Em rigor, um blogue sobre celebridades, o TMZ. O curioso é que o blogue dispôs da informação da morte algumas horas antes de a publicar. Mesmo assim, foi o primeiro e manteve-se primeiro durante muito tempo.

Com a circulação da informação por todo o lado, e todos a citarem o TMZ, havia quem duvidasse e preferisse esperar por um ‘grande’ para acreditar. Mas os grandes demoraram demasiado. Tanto que o site da TMZ bloqueou por excesso de visitas. Só muito mais tarde, o Los Angeles Times confirmou a notícia da morte, seguindo-se todos os outros. Este “muito mais tarde” deve ser entendido como significando um período de cerca de duas horas. Noutros tempos não seria significativo mas, em tempos da era da internet, é muito.

Depois do caso do avião que ‘arriou’ no Hudson, em Nova Iorque, com o mundo a saber e a ver através do Twitter, este é mais um sinal dos novos tempos informativos. Mas uma vez, e já não é a primeira nem segunda e não a última, os meios tradicionais de comunicação social foram ultrapassados por um dos novos meios.

Foi ainda na internet que a informação foi consumida, assimilada e debatida, levando a um aumento significativo do tráfego.

Vamos ter de nos habituar a esta realidade.

E tudo muda

Faz lembrar o slogan de lançamento do jornal i: Num instante tudo muda. Aqui, o instante foi um dia, o das eleições europeias. Um primeiro-ministro e um Governo arrogantes, altivos, ferozes, donos da verdade e pretensiosos, deram lugar a um primeiro-ministro e um Governo humilde, simples, manso, cabisbaixo, cansado e triste.

Uma presidente e um partido líder da oposição apagados, banais, descrentes transformaram-se em algo de vivo, dinâmico, cheios de vitalidade.

Num instante tudo mudou. Não só no interior destas pessoas e instituições mas na percepção que delas têm a população e os órgãos de comunicação social. O animal feroz que se temia é agora olhado de lado. A líder da oposição de quem se dava pouco por ela é vista como potencial chefe do Governo.

As coisas são como são mas não deixo de me espantar com algumas delas.

“Alice no país das maravilhas”, de Tim Burton, promete surpreender

“Alice no país das maravilhas”, de Tim Burton, promete surpreender do ponto de vista visual. Pelo menos, as primeiras imagens indicam isso mesmo. O jornal USA Today publicou algum do trabalho de arte da película, que chega em Março do próximo ano, e o mínimo que se pode dizer é que são imagens espantosas de detalhe e cor.

Exemplo? Johnny Depp como “Chapeleiro Louco”:

 

Johnny Depp Chapeleiro Louco

É tudo uma questão de alertar consciências

NunoCardoso

Nuno Cardoso foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa por crime de prevaricação. Em 2001, quando presidente da Câmara do Porto, assinou um despacho perdoando uma coima ao Boavista por o clube ter começado uma obra de construção sem licença. Se assim foi, deve ser penalizado. A lei é para cumprir.

Em tribunal, Nuno Cardoso garantiu que não se recorda de ter assinado o documento. Estaria, talvez, distraído. Tão distraído quanto eu tenho andado, uma vez que não encontro muitas placas identificativas da realização de obras autorizadas em muitas construções em curso.

Diz o jornal Público que o juiz do tribunal de São João Novo aventou a existência de uma “teia” entre o poder autárquico e os clubes de futebol e apresentou a sanção como um exemplo contra o sentimento de impunidade que muitos cidadãos descrevem. “Que tudo isto sirva para um alerta de consciências”, afirmou o juiz. Acho bem que se alertem as consciências e que se acabe o sentimento de impunidade dos titulares de órgãos políticos.

Agora, uma pergunta: E se Nuno Cardoso ainda fosse presidente da Câmara do Porto? Também seria condenado para alertar consciências? Se não houvesse necessidade de alertar consciências, seria condenado?

“Traidor”: Onde o terrorismo é teatro

large_337907

“No xadrez, como na guerra, a chave para a vitória é a antecipação aos planos do oponente. Pensar duas jogadas à frente. A arte da guerra assimétrica, é mais provocar uma resposta do que infligir danos. Terrorismo é "teatro". Num teatro actua-se sempre para um público.”

“Traidor” está a meio e o líder de uma célula terrorista enuncia à personagem principal do filme, Omar, interpretado por Don Cheadle, todo o programa de qualquer movimento terrorista. Se não se souber, não existiu. Terrorismo é teatro e, portanto, tem de haver público. Este enunciado é simples e é conhecido de todos mas, volta e meia, alguém tem de o dizer.

“Traidor” é uma agradável surpresa. Estreado em Agosto do ano passado nos Estados Unidos, foi preciso esperar por Maio para chegar às salas nacionais. Chegou de forma suave, sem espalhafato, quase anónima, numa daquelas operações de distribuição sem cuidado e para despachar refugos, que em nada ajudam um filme a ganhar público. Aliás, que em nada ajudam as salas de cinema a ter mais frequentadores.

Terceiro filme realizado por Jeffrey Nachmanoff, que também assinou o argumento, a partir de uma história de Steve Martin (sim, o comediante), esta é uma película de história simples sobre um agente duplo infiltrado numa célula terrorista islâmica, com o objectivo de chegar aos seu líder.

Continuar a ler

A informação na era dos tablóides

Aconteceu tudo na quarta-feira. Poderia ter sido um dia ou dois mais cedo ou mais tarde. Poderia ter sido na semana passado ou apenas ocorrer na próxima. Em rigor, a questão temporal é aqui pouco relevante. O essencial nesta matéria é apenas a tendência crescente na comunicação social, mesmo na dita de referência ou “séria”, como se todos os meios de comunicação não tivessem de ser sérios.

A verdade é que a tabloidização, se me permitem esta palavra, não é nova. É algo que nem sequer é recente. Tem décadas. Por isso, a questão deve ser desmistificada.

O problema está mais na circunstâncias do que é notícia de forma mínima. Os exemplos de quarta-feira servem para ilustrar. São 10h20 e o Diário Digital revela ao mundo, em português, que, em Inglaterra, “um pastor alemão chamado Daz Lightning bateu o recorde do latido mais alto”. Foram 108 decibéis. É bastante, sim. Mas vale a pena contar isto ao mundo? Numa publicação sobre cães e animais domésticos, sim. No Diário Digital, creio que não.

Por esta altura já todo o mundo sabia e tinha lido ou visto Barack Obama a dar cabo de uma mosca numa entrevista televisiva. Em relação a Obama só nos falta mesmo saber a tonalidade dos seus traques. Quase na mesma altura descobria embasbacado que uma jovem de 15 anos ganhou o campeonato nacional de mensagens de telemóvel dos Estados Unidos da América. Ganhou 36 mil euros.

Para trás tinha ficado uma outra informação, mais “séria”. O segundo semestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano foram de subida significativa na procura de informação. Em grande parte devido à crise, houve mais pessoas a procurar e a consumir informação. No entanto, os jornais entraram e permanecem num clima de acentuada crise. Este é um fenómeno que faz pensar.