Para ler em Aventar.
Arquivos mensais: Maio 2009
Os Geeks…
A Lente chegou à rede
Fortemente afectado pela crise financeira e económica, um dos mais importantes e influentes jornais de todo o mundo luta pela sobrevivência. Ainda não há muito tempo, alguns especialista norte-americanos em questões relacionadas com a comunicação social, diziam que o New York Times poderia fechar as portas em Maio. Não vai fechar. Mas nunca se saberá se essa profecia não se iria realizar se não tivesse chegado um empréstimo salvador. O milionário mexicano Carlos Slim, já accionista do jornal, injectou 250 milhões de dólares, o dinheiro necessário para manter o grupo em funcionamento.
O New York Times foi uma das primeiras e mais significativas vítimas da nova era informativa. Demorou a reagir, como muitas vezes acontece em estruturas pesadas e tradicionalistas. A “velha e cinzenta senhora” fez jus ao epíteto e tardou em mexer as pernas, os braços e, sobretudo, a cabeça. Se todos os jornais, sobretudo os mais antigos, tiveram dificuldades em perceber que algo estava a mudar, o NYT fez pior. Tentou remar contra a maré, pensando que, com o tempo, tudo voltaria a ser como já foi.
Os cartazes de Manuela Ferreira Leite
Não sei o que deu à equipa ‘criativa’ que imaginou e concebeu os cartazes do PSD onde surge Manuela Ferreira Leite. São pobres de conteúdo e de imagem. Falta-lhes vida. No entanto, acabam por conseguir o efeito desejado: que sejam falados. Não pelas melhores razões mas isso é outra história.
Depois de confundida com a “Marta” dos seguros, ou uma outra qualquer operadora de call-center, a presidente do PSD mereceu o título de combatente do suicídio. Não há mal nenhum nisso, antes pelo contrário, mas não é, certamente, esse o objectivo dos cartazes.
Ex-jornalista em Portugal e agora correspondente do jornal catalão “La Vanguardia” na Índia, Jordi Joan Baños escreveu, ontem, um texto sobre Portugal, em concreto sobre o momento político. Olhou para os cartazes de Manuela Ferreira Leite e o que viu? Um cartaz de apoio a idosos ou uma linha de prevenção do suicídio.
Mais em Aventar.
A ética e a confiança ainda existem nalgumas redacções?
Para começar, gostava de saber, por exemplo, há quanto tempo a TVI tinha o famoso DVD da conversa de Smith e companhia. Gostava de saber porque é que optaram, primeiro, por passar o som, mas não a imagem, reservando-a para uma fase posterior. Admito que haja uma justificação aceitável mas como não a conheço, suponho que a ideia era prolongar o efeito, manter o caso em fervura lenta mas permanente, com evidentes objectivos de audiência e de afectar politicamente um homem com o qual a dupla José Eduardo Moniz / Manuela Moura Guedes não vai à bola, nem a qualquer outro lado. Confira-se, pois, o tom dos restantes espaços informativos e o de sexta-feira. Há ali diferenças e não estão apenas no estilo dos apresentadores.
Respeito mas não gosto do género de apresentação de Manuela Moura Guedes. Não é por causa de Sócrates, garanto. Já não apreciava antes e continuo a manter a mesma posição. Hoje fiquei a conhecer um novo aspecto. O Expresso enviou para a TVI a capa da edição de hoje, dando conta da entrevista exclusiva com o primo de Sócrates, sobre o caso Freeport. A capa do jornal foi disponibilizada para ser mostrada na revista de imprensa deste sábado, com pedido de embargo até às 24 horas. Um pedido de embargo significa que ninguém pode utilizar as informações disponibilizadas até à data em causa. A informação é cedida com o objectivo dos jornalistas a poderem trabalhar, possibitando a posterior apresentação da notícia mal o embargo termine.
Leio hoje no DN que esse pedido não foi respeitado. Fiquei, assim, a saber que a paladina da liberdade e do jornalismo “corajoso” não liga muito à deontologia e à ética profissional. Pior, fiquei a saber que Manuela Moura Guedes, não é de confiança.
Foi assim tão má a opção tomada? Tanto mais que o Expresso já andava, há dois dias, a anunciar essa entrevista no site da Internet? Um exemplo, com algum exagero, reconheço, mas que funciona. Imagine que um amigo, que toda a gente sabia que tinha feito uma biopsia, lhe conta que, de facto, tem um cancro e lhe pede para não revelar a ninguém durante as próximas quatro horas, porque prefere ser ele a dizer aos amigos e à família. Você, alegremente, esquece o pedido e a consideração que o amigo lhe merece e, para brilhar, para ser o primeiro, desata a telefonar a toda a gente e a contar o que sabe. Garanto que além de se transformar num estafermo, o seu amigo, provavelmente,o irá apagar da lista de contactos.
Também em Aventar.
Partidos, S.A.
Ou… Quero os meus 12 euros
Quando se trata de defender o umbigo próprio, os partidos políticos representados na Assembleia da República são céleres. Se for para clarificar leis feitas às três pancadas, como o Código do Trabalho que entrou em vigor sem as devidas disposições regulamentares, não há urgências e há necessidade de dar tempo ao tempo, sem pressas que é para tudo ficar bem feito. Agora, se há necessidade de “corrigir interpretações formais” da lei do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais, há que agir célere. Afinal, este é um ano de três actos eleitorais.
Não bastava o nobre e sério gesto de passar a aceitar dinheiro em notas com um limite quase irrelevante, 16 deputados da nação, de todos os grupos parlamentares, aprovaram por unanimidade uma nova regra. Clarificadora, dizem. Acho bem.
Tem a ver com o destino a dar a dinheiro que sobre das campanhas. Não sei se os senhores deputados se lembraram de perguntar a Isaltino Morais, que tem já larga experiência na matéria, mas lá resolveram a dificuldade.
A lei anterior não permitia excedentes. O que sobrava, em rigor nunca sobrava, seria deduzido na subvenção do Estado. Agora não. Já pode sobrar dinheiro. E como descalçaram a bota os parlamentares eleitos para defender o bem-comum? Se as candidaturas forem independentes ou pessoais, o lucro reverte a favor do Estado. É uma forma de evitar o enriquecimento de cidadãos ou movimentos às custas da democracia. Acho bem, não fossem uns marmelos independentes passarem a ganhar umas massas às custas do trabalho de quem os apoiou. E se o excedente se verificar nos partidos? Bom, nesse caso o dinheiro fica no cofre dos partidos, claro. Que mais haveria de se fazer? Fica para as campanhas seguintes, evidentemente. Podem, pois, ter lucros, para aplicar em investimentos futuros.
Uma escola na depravação
A alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos José Maria dos Santos, no Pinhal Novo, em Palmela, determinou que alunos, professores e funcionários deste estabelecimento público estão proibidos de “vestir tops com decotes pronunciados, minissaias muito curtas e calças descaídas”, revela-nos hoje o Correio da Manhã.
A alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, Natividade de Azeredo de sua graça, confirmou a aplicação das regras, aplicadas numa emenda ao regulamento interno da escola, como resultado de situações verificadas na sala de aula. Nem me seguro de imaginar o deboche que seriam as aulas daquela escola e o regabofe entre alunos, professores e demais funcionários.
Valha-nos a existência de tão casta senhora para impor o decoro, a moral e os bons costumes naquela nobre escola e naquele meio social. Fico até atormentado só de imaginar o estado de degradação moral daquelas bandas, quais Sodoma dos nossos dias.
Apesar destes sinais positivos, preocupo-me agora com o resto da comunidade não escolar. Os pais, familiares, amigos dos pais e amigos dos familiares daqueles jovens, para não falarmos dos amigos e familiares dos professores e funcionários e respectivas relações sociais terão foram de se salvar? Atendendo ao estado de decrepitude a que os frequentadores da escola chegaram, suponho que a comunidade envolvente deve estar contaminada do mesmo fervor libertino, senão como aceitar ou imaginar que tal seria possível dentro da insigne estabelecimento de ensino.
Que a alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, nos salve.
Também em Aventar.
A gripe mora aí?
Uma passageira mexicana é verificada por um médico no Aeroporto Benito Juarez International Airport, na Cidade do México, no dia 4 de Maio.
Fotografia de Alfredo Estrella / AFP / Getty Images, via The Big Picture
Um jogo para os nossos tempos
A crise é real. Mas como todas as crises, esta abre oportunidades. É nos momentos mais aflitivos que se estimula a imaginação, que ganhamos coragem para enfrentar os problemas de uma forma mais arrojada. Vamos, pois, arriscar. Junte os amigos, puxe do tabuleiro e ala que se faz tarde, vamos jogar o Monopólio da recessão.
Mais em Aventar.
A estória da internet
Não. Não é um erro. É mesmo estória. A estória por contar da Internet, numa linha do tempo, até 2003.
Uma perspectiva divertida. VER