E agora para algo realmente novo…

Nestes dias escuros, apesar do sol, por causa de uma longa crise, ora aqui está uma bela notícia. Bela? Diria mesmo mais, uma excelente notícia. Os Monty Python vão juntar-se, de novo, para preparar “Monty Python: Almost The Truth (The Lawyers`Cut)”, um documentário autobiográfico para celebrar os 40 anos de estreia na televisão.

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O documentário será dividido em seis capítulos e vai incluir entrevistas com John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Pali, incluindo várias declarações de Graham Chapman, que morreu em 1989.

Para além do documentário, será também lançado em DVD o programa de estreia do grupo na BBC, em 1969, “Monty Python’s Flying Circus”.

Que mais poderemos querer, nós, aqueles que gostamos do humor negro, com acentuada dose de cinismo, uma certa acidez, misturada com uma pitada de politicamente incorrecto, enfim, de um certo humor britânico?

Quem não sabe do que fala, que se cale para sempre

Edward C. Green é investigador científico da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos EUA. Ontem, domingo, publicou um artigo no jornal Washington Post a propósito das polémicas palavras do Papa acerca da ineficácia da utilização do preservativo para travar a Sida em África. Bento XVI disse, recorde-se, que o problema podia ser ainda pior e apelou à abstinência.

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Adivinhe quem é mais atrasado?

Papa: Não aos preservativos para combater a Sida em África!

Cartoon de Dave Granlud

 

O Bispo de Roma mostrou que entre ele e África, sobretudo a área “negra”, há um fosso maior que os existentes nos antigos circos romanos. Edward Green dá indicações de que África, para ele, é o local de onde são originários os agora chamados afro-americanos.

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O julgamento de Isaltino Morais e uma questão de paciência

… E uma nova participação no mundo da blogosfera

Quando criança e adolescente era visita frequente de um barbeiro localizado no centro da cidade onde vivia, Ermesinde. Era junto da estação de comboios e, com naturalidade, era uma barbearia bastante solicitada. À frente daquelas cadeiras enormes e pesadas, e por cima dos espelhos que nos permitiam ver o progresso da arte do corte dos cabelos, enquanto ouviamos a tesoura, havia um pequeno mas significativo quadro. A memória diz-me que o quadro estava emoldurado mas todos sabemos como as recordações de há alguns anos podem ser traiçoeiras. Já quanto à mensagem tenho a certeza, até porque não era particularmente original. Dizia: “Saber esperar é uma virtude”.

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Inicio hoje, e com este texto, a minha colaboração com um novo blogue, de nome Aventar, sentindo-me um dos orgulhosos fundadores desta comunidade. Irei manter este meu blogue pessoal, a solo, lançado em Janeiro passado. Procurarei estabelecer o melhor equilibrio entre eles.

São, pois, convidados a passar um pouco do vosso tempo no Bloco de Notas e no Aventar. Vou tentar fazer com que não se arrependam.

Eu não diria melhor

De boca aberta pelas declarações do Papa sobre os preservativos não serem uma solução para travar a Sida em África, e até serem prejudiciais, os editores da revista científica The Lancet pediram a Bento XVI que se retrate dessas opiniões. Dizem que o Papa distorceu evidências científicas para promover a doutrina católica nesta matéria.

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Imagem de The Telegraph

Sem problemas em criticar o marketing do Bispo de Roma, o editorial da The Lancet refere não ser claro que o erro do Papa se deva a ignorância ou se é uma tentativa deliberada de manipular a ciência para suportar a ideologia católica.

“Quando uma pessoa influente, seja religiosa ou política, faz uma falsa declaração científica que pode ser devastadora para a saúde de milhões de pessoas, devem retratar-se em público”.

É o que diz a The Lancet. Eu não diria melhor. Quanto ao Papa, não sei o que ele diz. Mas começa a não me interessa.

O cachet de um manifestante

Quanto vale um manifestante nos dias de hoje? Vale mais que há alguns meses. E muito mais que há uns anos atrás. É o que me dizem. O seu custo na economia real subiu de tal forma que não é necessário passar pelo crivo mais ou menos apertado do casting, seja político, seja de outra origem, para poder participar num protesto.

Hoje, os manifestantes são uma espécie de “estrelas” dos movimentos sociais. Servem para agitar bandeiras, gritar palavras de ordem, cantar e muitas outras coisas. Sobretudo quando as câmaras da televisão estão ligadas. Se a emissão for em directo, tanto melhor.

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No passado, agentes de grupos sociais mais ou menos influentes ficavam zangados se não fossem chamados ou avisados de que iria ocorrer uma manifestação. Queriam ir a todo o custo e ficar de fora era como se fossem desprezados. Hoje, perguntam quanto vale a presença. Fazem como aquelas outras pessoas mais ou menos conhecidas que gostam de se fazer pagar apenas para aparecer numa qualquer festa, como se as pessoas não célebres ficassem mais próximas do céu só por partilhar o mesmo espaço.

Os manifestantes modernos são assim. Já não se atropelam. Já não levam ofertas para a população que os há-de olhar de frente ou de esguelha mas que dificilmente os vai ignorar.

Há aqueles que aderem porque acreditam nos objectivos do protesto, há os que vão porque sim e aqueles que aceitam alinhar, com um “está bem” de encolher de ombros, a troco do cachet.

Já não levam ofertas, querem ser eles a receber. Nem precisa de ser em dinheiro. Têm é de ter as deslocações pagas e as refeições incluídas. Pelo menos. As t-shirts e os bonés são à parte.

Bem-vindos ao lamaçal

José Sócrates vai processar a TVI, pela divulgação da informação, e as pessoas que o acusam de ser corrupto numa gravação áudio que o canal hoje transmitiu em mais um episódio do “caso Freeport”. Mais uma etapa, após o Bastonário da Ordem dos Advogados (sim, o bastonário e não um simples porteiro) ter acusado, pelo vistos de forma correcta, elementos da Polícia Judiciária e elementos do Ministério Público de terem forjado uma carta anónima para que alguém não tivesse de dar a cara na acusação ao actual primeiro-ministro.

É este o estado do país. É assim que se fazem investigações judiciais, é assim que se faz combate político. O chefe do Governo coloca a TVI no núcleo de uma “campanha negra”, a TVI irrita-se com análises que a Entidade Reguladora para a Comunicação anuncia que vai fazer, diz que faz informação e divulga um áudio que há muito se sabia que existia.

Uma das perguntas que me ocorre passa por saber se a própria TVI teria já aquele DVD há algum tempo e guardou-o à espera de um certo momento. Político, claro.

Outra pergunta: porque é que este caso regressa de quatro em quatro anos? Falou-se em vésperas das eleições de 2005, ficou adormecido durante quatro anos e volta à ribalta a escassos meses de outras eleições legislativas. Onde andou a investigação e os investigadores nos últimos quatro anos? Digam o que disserem, isto cheira a esturro.

A Sócrates não resta alternativa que não seja avançar para os tribunais. Não tem alternativa. Até agora, podia ficar por palavras e indignações. Já não pode.

Um ícone – Playboy – chega a Portugal

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Nasceu na mesa da cozinha de Hugh Heffner há mais de 55 anos. Trazia Marilyn Monroe na primeira capa e vendeu mais de 50 mil exemplares, um número impressionante para a época e para um produto de género.

Mas o sucesso da revista não se fez apenas devido às fotografias de mulheres nuas e em posses sensuais. Playboy criou fama – e muito proveito – devido a reportagens e textos de grande qualidade, artigos sobre estilos de vida e contos de ficção de autores credenciados. Enfim, fez jornalismo de valor e matérias que fizeram história. Assim se construiu uma marca e um ícone relacionado com sexo, pois, mas com contornos intelectuais.

O grupo Playboy disponibilizou recentemente na Internet 53 edições da revista – de 1954 a 2007 -, acessíveis de forma gratuita para maiores de 18 anos. Podem ser lidas e folheadas.

A edição portuguesa da revista Playboy chega às bancas amanhã, sábado, numa altura em que o grupo ‘mãe’ vai encerrar os seus escritórios em Nova Iorque, o que irá provocar o despedimento de cerca de cem pessoas. A primeira capa portuguesa apresenta a modelo Mónica Sofia.

A revista é lançada em Portugal pelo grupo Fresta Corporation, que preparou uma redacção com 23 colaboradores, entre eles o escritor Pedro Paixão, o humorista Nuno Markl e o ilustrador Nuno Saraiva.

A crise já está na ficção

A tendência não é recente e começou já no ano passado em séries e programas televisivos de ficção dos EUA. Com a crise económica e financeira global em todo o mundo, os autores de histórias de ficção não tardaram a dar repercussão dos problemas nos guiões dos vários formatos. Com o suprime imobiliário em destaque, primeiro, depois com a presença de toda a economia real.

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Há já algum tempo que a crise entrou nos textos de diversas séries, como “Donas de Casa Desesperadas”, envolvendo diversas personagens de Wisteria Lane. Sempre atento à realidade, Matt Groening fez as dificuldades entrarem pela porta adentro de “Simpsons”, obrigando-os a saírem porta fora. A família disfuncional preferida da América, liderada por Hommer, sentiu de forma severa a crise e perdeu a casa. Valeu-lhes que um vizinho a comprou e a alugou à família amarela.

Enfim, aos poucos, o desemprego, as dificuldades em pagar contas, os problemas sociais têm marcado os episódios de diversas séries norte-americanas. Chegaram também à poderosa indústria audiovisual brasileira, onde as novelas mais próximas da realidade sócio-económica têm obtido maiores audiências que aquelas que preferiram ignorar o que se passa nas ruas. Em breve esta tendência chegará a Portugal, nas histórias das telenovelas.

Na última semana, Tozé Martinho, autor de A Outra, da TVI, e da próxima produção para o mesmo canal, disse ao Diário de Notícias que a telenovela que está a escrever e que vai para gravações em Abril já vai reflectir a crise. "A situação que se vive hoje em dia é demasiado violenta para que a ficção passe ao lado deste processo", explicou o autor ao jornal. "Para uma outra telenovela, que estou a preparar para daqui a um ano, já ando a compilar elementos que vou pôr na história no sentido de as pessoas encontrarem soluções para os seus dramas. Não quero ser demasiado derrotista. Num filme talvez o fosse, mas não numa telenovela. Aqui não se pode ir ao fundo e há que apontar saídas", acrescentou ainda ao DN.

Rui Vilhena, que escreveu Olhos nos Olhos, destacou ao mesmo jornal que a crise afecta a própria produção de ficção, com elencos reduzidos e formatos de ficção alterados. "A produção de eventos como festas, casamentos e baptizados vão aparecer menos nas histórias e o caminho são as séries ‘low cost’, de 20 ou 30 minutos com um pequeno elenco e poucos adereços”.

O corte nas equipas de produção, seja actores ou técnicos, tem sido feita de forma clara mas, ainda assim, sem grandes dramas. A orientação das empresas está definida: cortar nos custos e minimizar despesas.

Agora, como no passado. Já o cinema da década de 30 tinha reflectido o “crash” de 1929 e as suas repercussões sociais.

Assim anda o jornalismo…

DE cita IP

O Diário Económico publicou hoje, no seu site, uma ‘notícia’ do jornal satírico “Inimigo Público” distribuído com o “Público”. Como se a informação fosse verdadeira.

Imagino que no DE ninguém saiba que as ‘notícias’ do IP de facto não o são. São invenções. São divertidas. São, enfim, tangas.

Além disso, no DE ninguém achou estranho que a dita cuja do IP cite “a mulher de Anderson Polga”.

Até poderia dizer, em jeito de comentário, umas graçolas sobre isto, sobre o estado do jornalismo, sobre deixarem estagiários à rédea solta… Mas a coisa é tão triste que prefiro não o fazer.